“Nova Dama da Morte”: conheça a atiradora ucraniana aclamada no país

Membro das forças armadas ucranianas desde 2017, Charcoal foi apelidada de “Dama da Morte” dos dias modernos

atualizado 06/04/2022 15:32

Atiradora de elite ucraniana Charcoal em trajes militares e segurando um fuzil - MetrópolesReprodução/Exército ucraniano

Aclamada pelo Exército ucraniano, uma atiradora de codinome “Charcoal”, carvão em tradução livre, passou a ser tratada como heroína nacional após receber elogio público das forças armadas do país.

A atiradora entrou no poder militar da Ucrânia em 2017; e antes da invasão russa, já havia lutado contra separatistas. Voltou ao combate após a investida militar do país liderado por Vladimir Putin, em 24 de fevereiro.

0

Na mensagem compartilhada pelo Exército ucraniano, Charcoal prometeu vingar seu país. “Devemos acabar com todos eles”, defendeu se referindo aos militares russos.

Ela ainda condenou a invasão. “Essas pessoas não são seres humanos. Mesmo os fascistas não eram tão vis. Devemos derrotá-los”, concluiu.

A militar passou a ser chamada por admiradores de “Nova Dama da Morte”, em referência à atiradora ucraniana Lyudmila Pavlichenko, conhecida como a “Dama da Morte”.

Lyudmila combateu durante a Segunda Guerra Mundial, fazendo parte do Exército Vermelho soviético. A veterana teria matado mais de 300 soldados nazistas.

Sanções

Os Estados Unidos, a União Europeia e o G7, grupo dos países mais ricos, confirmaram uma nova rodada de sanções econômicas e comerciais contra a Rússia. Na mira estão bancos, empresas estatais, autoridades públicas e políticos.

Nesta quarta-feira (6/4), a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, adiantou detalhes do que chamou de “pacote abrangente” de sanções. Na prática, os russos serão proibidos de fazer novos investimentos e negociações comerciais.

Entre as personalidades políticas que serão alvos das sanções estão as filhas do presidente russo, Vladimir Putin, e os parentes de ministros e ex-ministros do primeiro escalão do Kremlin (veja a lista abaixo). Eles foram acusados de esconder dinheiro no exterior.

“Amanhã, o que vamos anunciar é um pacote abrangente adicional de sanções, que irá impor custos à Rússia e enviá-la ainda mais para o caminho do isolamento econômico, financeiro e tecnológico”, comentou.

Estados Unidos, União Europeia e G7 representam cerca de 50% do comércio mundial.

“Degradaremos os principais instrumentos do poder estatal russo, impor danos econômicos agudos e imediatos à Rússia e responsabilizar a cleptocracia russa, que financia e apoia a guerra de Putin”, concluiu.

Veja a lista dos sancionados: 

  • Katerina Tikhonovna – filha de Putin
  • Maria Putina – filha de Putin
  • Mikhail Mishutsin – primeiro-ministro russo
  • Dmitry Medvedev – ex-primeiro-ministro russo
  • Maria Lavrova – esposa do ministro da Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov
  • Sberbank – maior banco público russo
  • Alfa Bank – banco banco privado russo

A Ucrânia vive o 41º dia de ataques consecutivos desde o início da invasão russa, em 24 de fevereiro. O desgaste diplomático está cada vez maior e resvala em outros países. O governo de Zelensky estima que 80% da população de Bucha, cidade próxima da capital Kiev, foi dizimada.

Na noite de terça-feira (5/4), o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, anunciou o envio de mais US$ 100 milhões (R$ 465 milhões) em ajuda militar ao país invadido.

“Como as forças ucranianas continuam a combater corajosamente a invasão da Rússia, autorizei [o envio de] US$ 100 milhões para atender a uma necessidade urgente de sistemas antitanque adicionais para as forças da Ucrânia”, escreveu Blinken no Twitter.

Zelensky reclama

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, condenou o comportamento de países do Ocidente e acusou as nações de pensarem mais em dinheiro do que no horror da guerra.

A reclamação de Zelensky, feita nesta quarta-feira (6/4) no Parlamento da Irlanda, ocorre após integrantes da União Europeia se dividirem sobre novas sanções contra a Rússia.

0

 

“A única coisa que nos falta é a abordagem de princípios de alguns líderes, líderes políticos e líderes empresariais, que ainda pensam que a guerra e os crimes de guerra não são algo tão horrível quanto as perdas financeiras”, lamentou. “Não posso tolerar nenhuma indecisão depois de tudo o que as tropas russas fizeram”, concluiu.

Ataques

Nesta quarta-feira (6/4), as cidades de Kharkiv, Mariupol e Sievierodonetsk sofreram novos bombardeios. Prédios ficaram em chamas. Ainda não há informações sobre mortos e feridos.

As tropas russas avançam sobre Kharkiv, no leste, e a já devastada Mariupol, no sul.

Mariupol enfrenta a situação mais dramática: 160 mil moradores estão sem energia, aquecimento ou água. Cerca de 90% dos imóveis foram destruídos pela guerra.

O governador da região leste de Luhansk, território separatista pró-Rússia, relatou que 10 prédios estão em chamas na cidade vizinha de Sievierodonetsk.

População dizimada

Autoridades ucranianas acusam a Rússia de realizar massacre de civis na cidade de Bucha. O prefeito local, Anatoliy Fedoruk, anunciou que atualmente a população está estimada em 3,4 mil habitantes — número 88% menor que os 30 mil registrados em 2021.

O mundo está assombrado com vídeos divulgados no domingo (3/4). Nas gravações, é possível ver cenas chocantes da tragédia na cidade de Bucha.

As imagens mostram ao menos 20 cadáveres no chão e em valas comuns. O governo ucraniano diz que mais de 400 corpos de civis foram encontrados na cidade.

Mais lidas
Últimas notícias