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Mundo

No Mercosul, Lula pede integração "acima de divergências ideológicas"

Presidente Lula discursou durante a 68ª Cúpula de chefes de Estado do Mercosul, em Assunção, na manhã desta terça-feira (30/6)

30/06/2026 12:00, atualizado 30/06/2026 12:43
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Ricardo Stuckert / PR
Presidente Lula é recebido na Cúpula de chefes de Estado, no Paraguai

Assunção — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursou, na manhã desta terça-feira (30/6), na sessão plenária da 68ª Cúpula de chefes de Estado do Mercosul, em Assunção, capital paraguaia.

Na ocasião, o petista defendeu que a integração entre países do bloco deve estar “acima de divergências ideológicas”. A fala ocorre em um momento de avanço de governos de direita na região, com as recentes eleições de líderes deste espectro na Colômbia e no Peru.

“O Mercosul permanece como principal espaço institucional em uma região cada vez mais polarizada. O projeto de integração sul-americana deve estar acima de qualquer divergência ideológica”, afirmou.

O presidente brasileiro alertou sobre ameaças à democracia na região, e citou a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Também mencionou o caso da Bolívia, alvo de uma onda de protestos que levou o governo a decretar estado de emergência.

“Apesar das tentativas de semear dívidas sobre os processos eleitorais na América do Sul, o respeito à vontade popular e à confiança nas regras democráticas têm prevalecido”, ressaltou.

Lula disse ainda que o enfrentamento às organizações criminosas é um dos maiores desafios da região, frisando que “não há democracia forte ou desenvolvimento duradouro quando o crime organizado corrói a autoridade legítima do estado”.

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Fortalecimento do Mercosul

Sem citar nomes, o petista pontuou que “ninguém é dono da América do Sul” e “nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes”.

Ao final do discurso, Lula reafirmou que concorrerá às eleições presidenciais em outubro. O chefe do Planalto citou cenário de “terra arrasada” ao assumir o mandato e destacou índices econômicos do país. Ele pediu ao presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, que assume o comando do bloco a partir desta terça, que trabalhe no fortalecimento das instituições de apoio ao Mercosul “para que ele funcione perfeitamente bem, independentemente de qualquer presidente eleito”.

“O Mercosul não pode funcionar de acordo com a eleição desse ou daquele presidente. Senão a gente nunca vai ter um bloco realmente forte e funcionando”, disse.

Abertura

O chefe do Planalto chegou à sede da Conmebol, onde ocorre o evento, por volta das 10h40. Ele foi recebido pelo anfitrião, o presidente paraguaio, Santiago Peña. Na chegada, Lula comemorou a vitória da seleção paraguaia sobre a Alemanha na Copa do Mundo: “Parabéns ao Paraguai”, disse.

A reunião de líderes marca o fim da presidência pro tempore do Paraguai e a passagem de bastão para o Uruguai. Na abertura, o chanceler do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, fez um balanço dos trabalhos realizados nos últimos seis meses à frente do bloco. Depois, Peña discursou, apelando por mais integração no bloco.

Em seguida, discursou o presidente Lula. Ele abriu a fala pedindo um minuto de silêncio pelas vítimas da tragédia causada pelos terremotos na Venezuela.