Modelo do avião que caiu na Etiópia é o mesmo do acidente da Indonésia

O Boeing 737 Max-8 está em operação há apenas dois anos. Em outubro do ano passado, a queda de um avião do mesmo modelo matou 189 pessoas

ETHIOPIAN AIRLINES/DIVULGAÇÃOETHIOPIAN AIRLINES/DIVULGAÇÃO

atualizado 10/03/2019 18:53

A queda de um avião da Ethiopian Airlines, que matou 157 pessoas, marca o segundo acidente fatal em cinco meses envolvendo um novo tipo de aeronave da Boeing, informa a BBC Brasil. O Boeing 737 Max-8 está em uso comercial há apenas dois anos, desde 2017. Em outubro do ano passado, um avião do mesmo modelo da companhia Lion Air caiu pouco tempo depois de decolar em Jacarta, na Indonésia, matando todas as 189 pessoas a bordo. A aeronave tinha menos de três meses de uso.

O voo ET302, da Ethiopian Airlines, que caiu hoje (03/03), também sofreu o acidente poucos minutos depois de decolar. A aeronave (registrada como ET-AVJ) voou pela primeira vez em outubro do ano passado, de acordo com sites de registros de voo.

O analista de aviação Gerry Soejatman, baseado em Jacarta, disse à  reportagem da BBC que o motor do 737 Max “é um pouco mais para a frente e um pouco mais alto em relação à asa, em comparação com modelos anteriores. Isso afeta o equilíbrio do avião.”

O comitê nacional de segurança nos transportes da Indonésia avaliou que o voo da Lion Air recebeu uma “entrada (de informação) errônea” de um de seus sensores projetados para alertar os pilotos se a aeronave corre risco de uma parada do motor (sensor anti-stall). A investigação do comitê ainda não chegou a uma conclusão final sobre a causa do desastre.

Diferenças 
O sensor e o software ligado a ele funcionam de uma maneira diferente de modelos anteriores do 737.

Alguns dias depois do acidente da Lion Air, a Boeing enviou um boletim de operações para companhias aéreas. A autoridade de aviação dos EUA então emitiu uma diretiva “de emergência” para companhias aéreas sobre a nova funcionalidade do modelo – chamado de sensor AOA (ângulo de ataque, na sigla em inglês).

A Autoridade Federal de Aviação (FAA) americana disse que a falta de preparo para lidar com a nova funcionalidade “poderia fazer com que a tripulação do voo tivesse dificuldade em controlar o avião, levando ao rebaixamento excessivo do nariz, perda significativa de altitude e possível impacto com o terreno”.

No Brasil, a Anac (Agência Nacional de Aviação) exigiu o treinamento dos pilotos para operação da nova funcionalidade envolvendo o sensor anti-stall, segundo a agência Reuters. O modelo 737 Max-8 está em uso no Brasil pela operadora Gol Linhas Aéreas.

Boeing
Em um comunicado divulgado no domingo, a Boeing disse que sua equipe técnica “está preparada para oferecer assistência a pedido e sob direção do Conselho de Segurança de Transportes dos EUA”.

A empresa também afirmou que envia “condolências às famílias dos passageiros e tripulantes a bordo” e que está pronta para apoiar a equipe da Ethiopian Airlines.

O Boeing 737 Max é o modelo que vendeu mais rápido da história da empresa, com mais de 4,5 mil aeronaves encomendadas por 100 diferentes operadoras no mundo todo.

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