ONU: planos dos países contra aquecimento global são insignificantes

Novo relatório divulgado pela organização aponta que as promessas dos governos não são suficientes para redução das emissões de gases

atualizado 27/10/2022 17:40

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O relatório sobre Lacuna de Emissões 2022, do programa para o meio ambiente da Organização das Nações Unidas (ONU), aponta que a população mundial está longe de atingir as metas climáticas necessárias para redução e estabilização do aquecimento global. O estudo divulgado nesta quinta-feira (27/10) prevê que as propostas precisam ser mais ambiciosas para, assim, se chegar à diminuição dos gases de efeito estufa.

O documento tem como objetivo avaliar os esforços dos países em reduzir as emissões de gases de efeito estufa em comparação com as medidas definidas pelo Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas.

Em entrevista coletiva, a diretora-executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Inger Andersen, afirmou que atualmente não existe “uma trajetória crível” para limitar o aquecimento do planeta abaixo de 1,5°C até 2030, uma das medidas definidas em Paris.

“Somente uma transformação radical de nossas economias e sociedades pode nos salvar de acelerar o desastre climático”, declara Andersen.

Para que o mundo consiga atingir as metas do Acordo de Paris, será necessário reduzir os gases de efeito estufa em níveis sem precedentes nos próximos oito anos, aponta o relatório.

O relatório aponta, também, que o Brasil diminuiu a sua ambientação de redução de gases de efeito estufa em 2020. Além disso, os compromissos assumidos pelo o país continuam abaixo daqueles adotados em 2016 pelo governo federal.

Para que o mundo consiga manter o aquecimento global abaixo de 1,5° C é necessário que as emissões de gases tenham uma redução de 45% em relação às previstas nas atuais políticas mundiais até 2030.

O relatório aponta que para que as medidas do Acordo de Paris sejam cumpridas é necessário realizar cortes maciços em atividades significativas para a produção mundial, além da utilização de energia renovável na indústria.

A Pnuma aponta que para a emissão zero, os setores de indústria, transporte e tecnologia devem adotar mudanças comportamentais e uso de energias limpas, sem o uso de combustíveis fósseis. Além disso, avançar nas políticas de carbono zero para que o aquecimento global fique abaixo de 1,5° C.

O relatório da ONU aponta a necessidade dos sistemas ligados à produção de alimentos, como a agricultura, devem adotar sistemas que respeitem os ecossistemas naturais, melhorias na geração de alimentos e a descarbonização das cadeias.

Ações governamentais

A Pnuma indica que os governos podem facilitar a transformação retomando subsídios e sistemas tributários. Entretanto, para que todas as medidas sejam cumpridas, o relatório indica que os agentes globais devem investir pelo menos US$ 4 trilhões a 6 trilhões por ano.

Além disso, o relatório indica que os bancos centrais de todo o mundo devem adotar medidas de enfrentamento à crise climática, como o incentivo ao desenvolvimento sustentável e o carbono zero. Entretanto, é necessário que essas ações sejam regulamentadas.

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