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Um promotor sueco indiciou, nessa segunda-feira (30/3), um homem suspeito de ter forçado a esposa a se prostituir com pelo menos 120 homens. Ele também é suspeito de proxenetismo agravado – ato de mediar, facilitar ou lucrar com a prostituição alheia –, estupros e agressões sexuais. Os investigadores falam em uma exploração “em grande escala”.
O homem de 62 anos é suspeito de ter lucrado financeiramente, durante mais de três anos, entre 2022 e 2025, com a pressão que exercia sobre sua esposa “para que ela praticasse atos sexuais”, segundo a acusação. De acordo com o mesmo documento, a vítima vivia sob total controle: drogada, tornada dependente, vigiada permanentemente, inclusive por câmeras instaladas na própria casa.
O homem é acusado de ter publicado anúncios na internet, organizado encontros, vigiado e pressionado sua esposa a realizar atos sexuais online para atrair mais clientes, detalha o documento. Ele é suspeito de tê-la forçado a manter relações sexuais com mais de 120 homens. Ele teria filmado esses atos. Foi a própria vítima quem acabou alertando a polícia, no fim de outubro de 2025, no norte da Suécia.
O homem também é acusado de ter sido violento, de tê-la ameaçado e de ter se aproveitado de sua dependência química, com o Ministério Público qualificando os fatos como uma “exploração impiedosa”. O suspeito, que está em prisão preventiva, nega todas as acusações. Ele também é processado por oito estupros e quatro tentativas de estupro.
Várias acusações por compra de serviços sexuais
Vinte e seis homens foram indiciados por compra de serviços sexuais, e os demais ainda estão sob investigação, informou a representante da acusação. Segundo a emissora pública SVT, o homem suspeito de proxenetismo agravado era um membro de alto escalão da organização de motociclistas Hells Angels.
A mulher foi vítima de “crimes graves”, declarou sua advogada, Silvia Ingolfsdottir. “Ela espera agora obter justiça”, acrescentou. A ministra sueca da Igualdade de Gênero, Nina Larsson, afirmou em fevereiro que os homens devem “parar de comprar e vender o corpo das mulheres”.
Este caso, que lembra o de Gisèle Pelicot, na França, causa profunda comoção na Suécia, onde a prostituição e a violência contra mulheres são temas extremamente sensíveis. Ele também reacende o debate sobre a responsabilidade dos clientes e sobre as situações de controle psicológico, elementos centrais do modelo sueco que penaliza a compra de serviços sexuais.
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