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Mundo

Mais de 250 mil pessoas abandonaram suas casas devido à guerra no Iêmen

Iêmen convive com uma nova onda de violência desde julho, após novos conflitos entre os Houthis, Arábia Saudita e forças iemenitas

20/10/2026 18:12
Marwan Abdullah Yahya Saeed Al-shabi/Anadolu via Getty Images
Imagem colorida mostra mulher deslocada pelos conflitos no Iêmen - Metrópoles

Mais de 250 mil pessoas já foram forçadas a abandonarem suas casas no Iêmen desde que conflitos entre os Houthis, Arábia Saudita, e forças iemenitas eclodiram no país. O novo balanço foi divulgado pela Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) nesta terça-feira (20/10).

A região mais afetada pela onda de deslocamentos forçados continua sendo a província de Taiz, correspondendo a 76% dos casos reportados entre 1º de agosto e 17 de outubro. A região enfrenta um cerco dos Houthis, que tentam avançar o tomar o controle do local, considerado vital para o acesso do país ao Mar Vermelho e ao Golfo de Aden.

Países vizinhos do Iêmen, como Djibouti e Somália, têm sido nações escolhidas por iemenitas que buscam segurança e refúgio.

Depois de anos de relativa paz, a população do Iêmen voltou a conviver com conflitos em julho deste ano, após os Houthis e a Arábia Saudita trocarem acusações mútuas — que resultaram na retomada das hostilidades.

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Quem são os Houthis?

  • Criado na década de 1990, os Houthis são um movimento político-religioso composto majoritariamente por seguidores do zaidismo, uma das três vertentes do islamismo xiita.
  • O grupo controla partes do Iêmen desde 2014, após começar uma ofensiva contra o então governo do país, dando início à guerra civil que dura 14 anos.
  • Em 2015, a Arábia Saudita criou uma coalizão militar para apoiar o governo iemenita reconhecido internacionalmente. A partir daí, posições dos Houthis começaram a ser bombardeadas no Iêmen.
  • A aliança militar saudita e os Houthis travaram combates até 2022, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) mediou um cessar-fogo no Iêmen.
  • Os Houthis recebem apoio do Irã e defendem a causa da Palestina. Por isso, a organização iniciou ataques contra navios ligados a Israel no Mar Vermelho depois do início da guerra na Faixa de Gaza. Eles também passaram a lançar drones e mísseis em direção ao território israelense.
  • Os Estados Unidos e o Reino Unido chegaram a atacar posições dos Houthis no Iêmen entre 2024 e 2025 em resposta às ações do grupo na região.
  • No segundo semestre de 2026, a trégua entre os Houthis e a Arábia Saudita foi rompida, e os dois lados retomaram as hostilidades. Na mesma época, a organização expandiu seu controle no norte Iêmen, e agora domina praticamente todo acesso do país ao Mar Vermelho.

Na época, o grupo iemenita acusou forças sauditas de bombardearem o Aeroporto Internacional de Sanaa, localizado na capital do Iêmen controlada pelos Houthis.

Em resposta, a organização lançou uma ofensiva contra o território saudita, incluindo instalações energéticas, e anunciou um bloqueio contra navios ligados ao país no Estreito de Bab el-Mandeb.

Apesar dos esforços da coalizão internacional liderada pela Arábia Saudita, os Houthis expandiram seu controle no Iêmen, e avançaram sobre a costa do Mar Vermelho.

A crise na região também ameaça envolver outros países, como o Paquistão e Turquia. As duas nações assinaram, recentemente, um pacto militar com a Arábia Saudita e já mostraram disposição para enviar tropas ao território saudita.