Madri cancela contrato de 700 milhões de euros com empresa israelense

O acordo incluía suporte logístico e treinamento militar. A decisão marca mais um capítulo na escalada de tensões entre Madri e Tel Aviv

atualizado

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1 de 1 Imagem colorida mostra o premiê da espanha Pedro Sanchez - Metrópoles - Foto: Eduardo Parra/Europa Press via Getty Images

O governo espanhol oficializou o cancelamento de um contrato bilionário com empresas espanholas envolvidas na produção de armamentos de origem israelense, como parte do embargo total à cooperação militar com Israel, confirmado na semana passada. O acordo incluía suporte logístico e treinamento militar. A decisão marca mais um capítulo na escalada de tensões entre Madri e Tel Aviv.

O contrato previa a aquisição de 12 unidades desse sistema de lançamento de foguetes de alta mobilidade (SILAM), desenvolvido a partir do sistema Puls da empresa israelense Elbit Systems, segundo o relatório Military Balance do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS). O projeto estava sendo conduzido por um consórcio formado por empresas espanholas, com transferência de tecnologia e produção local.

O cancelamento do contrato ocorre dias após o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez anunciar um pacote de nove medidas para “deter o genocídio em Gaza”. Entre elas, está o embargo total à venda e compra de armas com Israel, o bloqueio de portos e aeroportos espanhóis para navios e aeronaves militares com destino ao país, e a proibição de entrada de autoridades israelenses envolvidas em crimes de guerra.

Além disso, o governo espanhol proibiu a importação de produtos oriundos de assentamentos ilegais na Cisjordânia e em Gaza, e restringiu serviços consulares a cidadãos espanhóis que residem nesses territórios ocupados.

Sánchez foi enfático: “Isto não é defender-se. Não é sequer atacar. É exterminar um povo indefeso.”

Ele também declarou que, mesmo sem poder militar, a Espanha quer “dar o exemplo” na defesa do direito internacional.

Resposta dura de Israel

A reação israelense foi imediata. O ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, acusou o governo espanhol de “institucionalizar o antissemitismo” e declarou como “persona non grata” a vice-presidente Yolanda Díaz e a ministra Sira Rego, ambas do partido Sumar, que pressionam Sánchez por uma postura mais firme contra Israel.

Saar também acusou a Espanha de hipocrisia histórica, relembrando a expulsão dos judeus em 1492 e classificando o governo espanhol como “corrupto e sem autoridade moral”.

Em contrapartida, Madri anunciou o reforço da ajuda humanitária à Palestina, com envio de efetivos à missão da União Europeia em Rafah, ampliação de projetos agrícolas e médicos com a Autoridade Palestina, e aumento da contribuição à UNRWA. A ajuda direta a Gaza deve atingir € 150 milhões em 2026.

Crise diplomática

A crise diplomática entre Espanha e Israel atingiu seu ponto mais crítico desde o início da ofensiva em Gaza. A embaixadora espanhola em Tel Aviv foi chamada de volta para consultas, e o representante israelense em Madri foi convocado duas vezes após a prisão de cidadãos espanhóis envolvidos na Flotilha da Liberdade.

Sánchez, que defende a solução de dois Estados, afirmou que “o que ocorre em Gaza não tem nome, mas tem palavra: genocídio”. A declaração rompeu com a linguagem diplomática usual e consolidou a ruptura política entre os dois países.

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