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Mundo

Macron alfineta Trump por explorar protestos na França em campanha nos EUA

Manifestação ocorre após presidente Donald Trump associar, em mais de uma oportunidade, as manifestações na França à imigração

21/10/2026 11:18
Reprodução/Casa Branca
Presidente americano Donald Trump e presidente francês Emmanuel Macron

O presidente da França, Emmanuel Macron, criticou nesta quarta-feira (21/10) “líderes estrangeiros” que têm “explorado eleitoralmente” os protestos no país. As críticas também foram endossadas pelo chanceler francês, Jean-Noël Barrot.

As declarações das duas autoridades francesas ocorrem após o presidente Donald Trump relacionar os protestos no país à imigração. Os Estados Unidos passa neste momento pelas eleições de meio de mandato, que renova o Congresso do país e elege governadores para 36 estados. O pleito é um teste da capilaridade política de Trump, que enfrenta problemas de popularidade no país.

“Há pessoas que estão fazendo campanha às custas da França, líderes que estão em situações de campanha na região ou do outro lado do Atlântico”, disse Macron. “Não há interferência estrangeira visível nos eventos que ocorreram; no entanto, há manipulação estrangeira de informações, o que deu origem a comentários inaceitáveis ​​e estúpidos de muitos, incluindo líderes estrangeiros”, completou.

A manifestação foi dada a repórteres durante passagem de Macron por Doha, no Oriente Médio, onde o francês cumpre três dias de agenda. Questionado se a declaração era direcionada a Donald Trump, o presidente afirmou que “ele [Trump], dentre outros líderes” estavam explorando as manifestações politicamente.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também fez comentários sobre a crise na França e os protestos violentos do último final de semana. Netanyahu está em campanha eleitoral e busca de se reeleger como premiê israelense. 

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“Sucumbiram à invasão do islã extremista”, declarou Netanyahu. Donald Trump, por outro lado, chegou a dizer que a França deveria fechar as fronteiras e associou as manifestações ao “projeto de dominação do Islã”.

Nas redes sociais, o chanceler francês, Jean-Noël Barrot, endossou as críticas de Macron e pediu que esses representantes “demonstrem o mínimo de decência em termos de moderação, respeito e solidariedade”.

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Reprodução/X
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Protesto na França neste sábado (17/10)

Muhammed Said Tako/Anadolu via Getty Images

Protestos na França

Os protestos tiveram início ainda em setembro, quando centenas de pessoas foram às ruas protestar contra condições precárias no sistema educacional francês. Os atos foram motivados pela falta de professores e estruturas escolares precárias nos subúrbios do país.

A tensão aumentou após uma ação policial registrada no dia 5 de outubro, na cidade de Lens, quando um estudante de 15 anos perdeu a mão após a explosão de uma granada de efeito moral. Após o ocorrido, o ministro do Interior do país, Laurent Nuñez, suspendeu o uso do artefato nos atos estudantis.

Logo os atos se espalharam para outras cidades francesas, se transformando em um movimento mais amplo, com foco na desigualdade e gastos públicos. De acordo com o governo da França, mais de 500 mil pessoas foram mobilizadas pelos atos neste final de semana.

O presidente Emmanuel Macron condenou os ataques e definiu os protestantes como “numerosos delinquentes”. Em diversas cidades do país, lojas foram saqueadas, carros e prédios foram queimados, e prédios públicos foram vandalizados. Em declaração, o ministro da Justiça da França afirmou que o país dará uma resposta rigorosa aos casos.