Líder supremo do Irã receberá prótese na perna, diz jornal
Aiatolá Mojtaba Khamenei deve usar uma prótese na perna e pode precisar de cirurgia plástica no futuro
atualizado
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O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, deve usar uma prótese na perna e pode precisar de cirurgia plástica, após ficar gravemente ferido em ataques dos Estados Unidos e de Israel, segundo reportagem do jornal The New York Times.
Khamenei foi escolhido por um conselho de clérigos após a morte do pai, o aiatolá Ali Khamenei, que comandava o país desde 1989 e foi morto em um bombardeio de EUA e Israel em 28 de fevereiro. Desde então, o novo líder não fez aparições públicas.
De acordo com a publicação, o líder está em local mantido sob sigilo e recebe atendimento médico intensivo, com acesso bastante restrito. O acompanhamento inclui a participação do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que também é médico, além do ministro da Saúde.
Mojtaba passou por três cirurgias em uma das pernas e aguarda a colocação de uma prótese. Também foi submetido a procedimento em uma das mãos e está em recuperação dos movimentos.
Queimaduras no rosto e nos lábios têm dificultado a fala, o que pode exigir intervenção estética adicional. Apesar do quadro clínico, autoridades iranianas afirmam que ele permanece consciente e participa das decisões do governo.
Por motivos de segurança, a comunicação com o líder estaria sendo feita por meio de mensageiros, que transportam bilhetes.
O que significa ser o líder supremo no Irã
No modelo político do Irã, baseado em uma teocracia, o líder supremo ocupa a posição de maior autoridade do país. Esse cargo é exercido por um clérigo xiita, escolhido por uma assembleia composta por 88 aiatolás.
Além de estar acima do presidente eleito, o líder supremo tem poder para supervisionar as principais decisões do governo e controlar estruturas estratégicas do Estado, como as Forças Armadas e a Guarda Revolucionária, que atua como uma força paralela com grande influência política e militar.
Militares no poder
De acordo com a reportagem do The New York Times, fatores como questões de segurança, ferimentos sofridos e acesso restrito levaram Mojtaba Khamenei a transferir parte das decisões para comandantes militares.
Na prática, ainda segundo o jornal, o centro de poder no Irã teria se deslocado para uma ala mais dura das Forças Armadas, enquanto a influência dos líderes religiosos diminui.
Mesmo com a participação de grupos reformistas e ultraconservadores nos debates políticos, analistas apontam que a proximidade de Khamenei com os militares, construída desde sua atuação na guerra Irã-Iraque, fortaleceu esse grupo dentro da estrutura de poder.
A Guarda Revolucionária do Irã, criada após a Revolução Islâmica de 1979, passou a exercer papel ainda mais central, acumulando funções estratégicas no comando do país.
Generais dessa força assumiram decisões importantes, incluindo as estratégias militares, o fechamento do Estreito de Ormuz, a definição de cessar-fogos temporários e a retomada de negociações com os Estados Unidos.
Além disso, ganhos obtidos em operações militares contribuíram para ampliar sua influência.
Enquanto isso, o presidente Masoud Pezeshkian e o governo civil teriam ficado mais restritos a funções administrativas, como a manutenção de serviços essenciais e o abastecimento interno.






