Kim Jong Un testa míssil que dispersa centenas de explosivos

Coreia do Sul pede fim das “provocações”, que colocam Seul e instalações dos EUA sob o alcance da Coreria do Norte

atualizado

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Agência KNCA
Kim Jong-un e filha visitam fábrica de munições na Coreia do Norte
1 de 1 Kim Jong-un e filha visitam fábrica de munições na Coreia do Norte - Foto: Agência KNCA

A Coreia do Norte lançou vários mísseis balísticos de curto alcance que testaram o poder das munições de fragmentação, reportou nesta segunda-feira (20/4) a Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA).

Sob a supervisão do líder Kim Jong-un, o lançamento de domingo é o mais recente episódio de uma série de lançamentos com armas nucleares.

As munições de fragmentação consistem em um contêiner que se abre no ar e espalha até centenas de submunições explosivas por uma área extensa. Muitas delas, entretanto, não explodem imediatamente, impondo riscos de médio e longo prazo, sobretudo em regiões povoadas.

Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), o seu uso em larga escala no passado já se mostrou capaz de disseminar dezenas de milhares, e às vezes milhões, de submunições altamente instáveis em países ou regiões inteiros.

“As submunições não detonadas frequentemente explodem quando manuseadas ou perturbadas, representando um grave perigo para os civis,” explica a organização.

Num relatório para o Congresso dos EUA de 2024, especialistas afirmaram que, desde o seu primeiro uso na Segunda Guerra Mundial, as munições de fragmentação já foram utilizadas em pelo menos 21 países por pelo menos 13 governos.

A Coreia do Sul, por sua vez, pede que o Norte cesse o que vê como “provocações”. Nenhuma das duas Coreias assinou a Convenção de Oslo de 2008, que proíbe o uso, a produção, a transferência e o armazenamento de munições de fragmentação.

O texto foi aderido por mais de 120 países.

Instalações dos EUA sob alcance

A KCNA informou que a manobra testou a ogiva do Hwasongpho-11 Ra, um míssil balístico tático de curto alcance, lançado do nível do solo contra alvos também em solo. Cinco projéteis foram disparados contra uma área-alvo a cerca de 136 quilômetros do local de lançamento, segundo a agência.

Kim “expressou grande satisfação com os resultados do teste”. O líder supremo celebrou o desenvolvimento de ogivas de bombas de fragmentação que podem aumentar a capacidade de ataques de alta densidade e precisão “para neutralizar uma área-alvo específica,” reportou a KCNA.

Segundo Hong Min, pesquisador sênior do Instituto Coreano para a Unificação Nacional, o alcance informado colocaria Seul e importantes instalações militares dos EUA ao alcance de Pyongyang. “Esse sistema parece ter sido projetado para preencher a lacuna entre os lançadores múltiplos de foguetes e os mísseis balísticos de curto alcance.”

O regime norte-coreano já testou também mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro antinavio e munições de fragmentação nas últimas semanas.

Próximo passo

Já Yang Moo-jin, professor da Universidade de Estudos Norte-Coreanos de Seul, observou que comandantes de corpos da linha de frente acompanharam o teste, ao contrário dos pesquisadores de armamentos que observaram os anteriores.

“Isso sugere que o sistema está se aproximando da implantação operacional, com capacidade de ser lançado diretamente de posições avançadas contra a Coreia do Sul e bases dos EUA”, afirmou.

Os Estados Unidos, que tampouco assinaram a convenção de 2008, mantêm cerca de 28 mil soldados na Coreia do Sul para a defesa contra ameaças militares do Norte.

Em 2023, o governo americano afirmou ter fornecido munições de fragmentação à Ucrânia, numa decisão controversa, sob a condenação de organizações de direitos humanos. A medida foi uma resposta às acusações contra a Rússia de usar o mesmo tipo de arma na invasão contra o vizinho no ano anterior.

Além disso, os EUA utilizaram munições de fragmentação extensivamente no Sudeste Asiático nas décadas de 1960 e 1970, segundo os especialistas citados pelo Congresso americano. O CICV estima que, somente no Laos, entre 9 milhões e 27 milhões de submunições não detonadas permaneceram após o conflito, resultando em mais de 10 mil vítimas civis.

Seul tenta reparar relações

A Coreia do Sul reportou o teste do vizinho no domingo, dizendo que suas Forças Armadas “detectaram vários mísseis balísticos de curto alcance” disparados da área de Sinpo, no leste da Coreia do Norte.

Seul afirmou que mantém uma “postura combinada de defesa firme” com os Estados Unidos e que “responderá de forma esmagadora a qualquer provocação”. “Pyongyang deve interromper imediatamente suas sucessivas provocações com mísseis que estão elevando as tensões” e “se engajar ativamente nos esforços do governo sul-coreano para estabelecer a paz”, afirmou o Ministério da Defesa.

Analistas, porém, disseram que os testes sinalizam que Pyongyang rejeitou as tentativas de Seul de reparar relações desgastadas. Entre elas, esteve uma expressão de pesar de Seul pelas incursões de drones civis no Norte em janeiro, um gesto que Pyongyang inicialmente pareceu acolher antes de voltar a descrever o Sul como seu Estado inimigo “mais hostil”.

Mais dois destroieres

A Coreia do Norte está sujeita a múltiplas sanções das Nações Unidas que proíbem o desenvolvimento de armas nucleares e o uso de tecnologia de mísseis balísticos. Mas o regime de Pyongyang tem repetidamente desrespeitado as restrições.

No início de abril, Kim supervisionou testes de mísseis de cruzeiro estratégicos lançados de um navio de guerra. Fotos oficiais o mostraram observando os disparos ao lado de autoridades militares.

Os testes foram realizados a partir do Choe Hyon, um dos dois destroieres de 5 mil toneladas do arsenal do Norte, ambos lançados no ano passado.

A Coreia do Norte também está construindo mais dois destroieres da classe de 5 mil toneladas para adicionar à sua frota. Com base em imagens de satélite de uma empresa de inteligência sediada nos EUA, um parlamentar sul-coreano afirmou neste mês que o Norte está “acelerando a modernização das forças navais com base na assistência militar da Rússia”.

A Coreia do Norte enviou tropas terrestres e projéteis de artilharia para apoiar a invasão da Ucrânia pela Rússia. Observadores afirmam que Pyongyang estaria recebendo assistência em tecnologia militar de Moscou em troca.

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