“Justiça feita”, diz mãe que perdeu filho no voo AF447 após condenação
Tribunal de Paris condenou as empresas Air France e Airbus por homicídio culposo no acidente que matou 228 pessoas em 2009
atualizado
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A presidente da associação “Entraide et Solidarité AF 447”, Daniele Lamy (foto em destaque), manifestou-se após o Tribunal de Paris considerar as empresas Airbus e Air France culpadas por homicídio culposo no caso da queda de avião do voo AF447, que fazia a rota Rio de Janeiro-Paris, em 2009.
“A justiça foi absolutamente feita”, disse Lamy, que perdeu um filho no trágico acidente que deixou 228 mortos.
Três anos após a Justiça de primeira instância da França absolver as duas empresas, o Tribunal de Paris as considerou culpadas. Foi fixada uma multa de 225 mil euros (cerca de R$ 1.3 milhão) para cada. O Ministério Público da França é favorável à condenação.
Ambas as empresas devem recorrer à Corte de Cassação, última instância francesa.
Lemy ainda pediu que a Airbus e a Air France desistam de recorrer à Corte de Cassação. “Pela primeira vez, (a Justiça) condena as empresas aeronáuticas multinacionais e coloca a segurança acima de todas as outras considerações econômicas”, disse a presidente da associação.
O acidente
O acidente aconteceu em de 31 de maio de 2009. O avião Airbus A330, operado pela companhia Air France, saiu do Rio de Janeiro com destino a Paris. Após cerca de 3h45 de viagem, os sensores Pitot da aeronave – que controlam a velocidade do avião – congelaram, e a equipe de pilotagem perdeu o controle do avião.
Ao todo, morreram 228 pessoas, de 33 nacionalidades, morreram.
A BEA, agência civil da França que investiga acidentes aéreos, concluiu que o acidente se deu por manobra equivocada do piloto, após vários incidentes técnicos.
No processo judicial, a Airbus (fabricante da aeronave) é acusada de não ter trocado os sensores de velocidade, e a Air France (companhia aérea), pela falta de treinamento da equipe de pilotagem para enfrentar esse tipo de problema.



