Jovem atacada por crocodilo conta sua história: “Grata por estar viva”

A britânica Melissa Laurie, 28, fazia um mochilão pelo México, e acabou sendo atacada por um crocodilo após entrar em lago

atualizado 27/06/2021 15:50

Melissa, que foi atacada por um crocodilo no México, e e a irmã gêmea Georgia.Reprodução/Facebook

Melissa Laurie, 28,  foi atacada por um crocodilo, enquanto fazia um mochilão pelo México no início deste mês. A britânica conseguiu escapar graças a sua irmã gêmea, Georgia, que ao ver a situação, golpeou o animal até ele soltá-la. A história chamou a atenção da imprensa internacional, e fez com que Melissa contasse sua história ao jornal The Mail on Sunday.

Melissa teve uma ótima recuperação. A jovem ainda tem as cicatrizes, com marcas de dentes e garras, espalhadas pelo corpo. Na barriga, uma cicatriz vertical de 20 centímetros, lugar onde os médicos realizaram uma cirurgia para reparar feridas em seu intestino, estômago e abdômen.

Ela é uma amante da natureza e chegou a trabalhar em um parque de vida selvagem na Georgia. A viagem de Melissa começou em março deste ano, e terminaria em novembro se não fosse o incidente.

Ela e a irmã gêmea estavam na praia de Puerto Escondido, na costa oeste do Pacífico do México, e atraídas pela lagoa Manialtepec, foram visitar o lugar. O local é famoso por sua bioluminescência, causada por milhões de plânctons que emitem luz ultravioleta, dando um brilho às águas ao anoitecer.

A jovem e outros turistas foram levados por Richie, que estava hospedado no mesmo albergue. O homem era um imigrante turco-alemão, e não tinha autorização para ser guia na região. Após o acontecimento, ele não foi mais encontrado.

“Disseram-nos que Richie anteriormente levou um homem lá que nadou no mar e quebrou as costas porque as ondas eram muito fortes”, contou Melissa.

Ao chegar ao local, o grupo ficou maravilhado pela natureza, e Melissa resolveu mergulhar na lagoa, mas a jovem notou uma coisa estranha: “A temperatura da água estava mudando”, disse.

Mais tarde, ela aprenderia que o local era onde a água doce do rio encontra a água salgada do mar, o que, junto com um denso manguezal, o torna um local ideal perfeito para crocodilos de água salgada, que se reproduzem nesta época do ano. Foi onde o crocodilo a atacou.

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“Eu estava tão perto de alcançar a segurança. Ani (um outro turista) havia conseguido escalar o manguezal, abaixou-se e estendeu a mão para agarrar minha mão direita e, quando eu estendi a mão, minha mão esquerda foi mordida. Foi repentino. Fiquei chocada quando me levou para baixo (da água) porque não sabia que o crocodilo havia se movido”, relatou.

“Eu estava gritando quando fui arrastada para baixo da água e naquele momento pensei estar prestes a morrer. Não senti nada, nenhuma dor. Mas achei que meu braço havia partido por causa da forte pressão da mandíbula do crocodilo. Pensei: ‘Nunca mais vou ver minha família, nunca mais vou ver minha irmã gêmea’. Meu pensamento inicial foi que ela teria que lidar com o retorno do meu corpo para o Reino Unido. Achei que estava prestes a morrer. Então eu desmaiei”.

Foi neste momento que a irmã Geórgia, uma ótima nadadora, mergulhou para salvar a irmã. “Eu tive que lutar, comecei a bater e bater com os dois punhos; apenas batendo nele. Foi duro como uma rocha, foi como socar uma parede”, disse a irmã gêmea.

O animal nadou para longe, tendo voltado outras vezes para atacar as irmãs. Mas Georgia conta que continuou batendo no animal para ele ir embora. “Eu estava exausta da luta. Mas eu simplesmente continuei socando”, relata.

As duas foram salvas por um barco de resgate que chegou ao local. Melissa estava sangrando e vomitava sangue e água suja.

Durante o retorno do barco à costa, viagem que durou 35 minutos, Melissa lutou para sobreviver. “Foi a viagem mais longa que se possa imaginar, apenas lutando pela minha vida”, diz ela. Na costa, as jovens foram levadas às pressas para um hospital a mais 30 minutos de distância.

Com tanta sujeira engolida, o corpo de Melissa desenvolveu uma infecção e, por isso, teve que ser mantida por quatro semanas em coma induzido. “A última lembrança que tenho é de ser levada escada acima (para a cirurgia) e a enfermeira colocar uma máscara no meu rosto. Isso foi na noite de domingo. Acordei na quinta”. Melissa passou 12 noites no hospital.

Georgia está achando difícil dormir e tem flashbacks noturnos do incidente. “Eu não tive tempo para processá-lo adequadamente. Vai demorar algum tempo”.

Já Melissa, diz se sentir grata pelo salvamento. “Eu não mudaria nada sobre o ataque porque mudou toda a minha perspectiva de vida. Eu lutei tanto para viver. Tenho orgulho das minhas cicatrizes. Eu sei que sou a garota mais sortuda do mundo. Estou grata por estar viva”, disse emocionada.

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