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Itamaraty ajudou a evitar atentado a príncipe do Japão no Brasil em 1978

Documentos desclassificados mostram esquema de segurança e vigilância montado pelo Itamaraty antes do então príncipe do Japão visitar o país

23/06/2026 05:00
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Bettmann/Getty Images
Imagem colorida mostra o príncipe do Japão Akihito - Metrópoles

No fim dos anos 1970, o Itamaraty cooperou com governo do Japão para evitar um possível atentado do Exército Vermelho Japonês (EVJ) contra o então príncipe herdeiro do país, Akihito, durante visita da alteza ao Brasil.

em 1978

As informações constam em um dossiê com telegramas e correspondências diplomáticas analisado pelo Metrópoles, que está disponível no Arquivo Nacional.


O que era Exército Vermelho Japonês?

  • O Exército Vermelho Japonês (EVJ) foi uma organização de extrema-esquerda fundada em 1971 por opositores japoneses.
  • Classificado como terrorista por parte da comunidade internacional, o grupo se dizia marxista-leninista.
  • Seu principal objetivo era derrubar o governo e a monarquia do Japão, além de promover uma revolução armada internacional.
  • O EVJ foi responsável por atos como a invasão da Embaixada dos Estados Unidos na Malásia, em 1975, onde 53 pessoas foram mantidas como reféns. O episódio terminou após negociações que envolveu a libertação de membros do grupo presos no Japão.
  • Além disso, membros do Exército Vermelho Japonês também realizaram o ataque que ficou conhecido como Massacre do Aeroporto de Lod, em 1972. Na época, os militantes do EVJ mataram 26 pessoas no terminal aéreo localizado em Israel.
  • O grupo perdeu força na década de 1990, e foi dissolvido formalmente em 2001.

A preocupação do governo japonês

As primeiras preocupações com a visita oficial de Akihito surgiram em um telegrama transmitido pelo então embaixador do Brasil em Tóquio, Ronaldo Costa, em janeiro de 1978, meses antes da chegada do príncipe herdeiro.

Em um trecho da comunicação, Costa afirmou que a Polícia do Japão, assim como o Gaimusho (como chanceleres japoneses são chamados), temiam que a visita “poderia dar pretexto a grupos terroristas” para a realização de um “atentado contra a família imperial” com base no “modus operandi” da organização.

Um dia depois, representantes da Embaixada do Japão se reuniram com autoridades brasileiras para discutir a situação. Segundo a ata da reunião, autoridades japonesas teriam coletado literatura do EVJ onde o Brasil foi “citado como possíveis países nos quais a referida organização extremista poderia praticar atos”.

No mesmo encontro foi revelado que um grupo de especialistas japoneses em informação discutiram medidas de segurança para a visita do príncipe ao Brasil, junto de autoridades do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS).

Antes da viagem de Akihito ao Brasil, o governo japonês solicitou que o estabelecimento de um sistema especial de controle de entrada e saída de estrangeiros no país. O objetivo era impedir a possível infiltração de membros do EVJ no território brasileiro.

Para facilitar a identificação dos militantes, a diplomacia japonesa também passou a enviar listas atualizadas para o Brasil com dados, descrições físicas e até mesmo fotos de supostos integrantes do Exército Vermelho Japonês. 

O Itamaraty, por sua vez, aceitou transmitir para a Embaixada em Tóquio informações sobre todos os vistos concedidos pelo Brasil a cidadãos japoneses entre os dias 20 de abril e 25 de junho — data prevista para o fim da visita de Akihito.

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Entre elas, sistemas especiais de controle em fronteiras brasileiras
O governo do Brasil também concordou em transmitir informações sobre vistos concedidos para cidadãos japoneses, com o objetivo de identificar possíveis pedidos de membros do EVJ
Embaixada do Japão pede providências de segurança para a visita do príncipe ao Brasil
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Embaixada do Japão pede providências de segurança para a visita do príncipe ao Brasil

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Entre elas, sistemas especiais de controle em fronteiras brasileiras
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Entre elas, sistemas especiais de controle em fronteiras brasileiras

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O governo do Brasil também concordou em transmitir informações sobre vistos concedidos para cidadãos japoneses, com o objetivo de identificar possíveis pedidos de membros do EVJ
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O governo do Brasil também concordou em transmitir informações sobre vistos concedidos para cidadãos japoneses, com o objetivo de identificar possíveis pedidos de membros do EVJ

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Não existem registros de incidentes envolvendo a vinda de Akihito ao Brasil em 1978, para celebrações do 70º aniversário da imigração japonesa. Ao lado da princesa Michiko, ele manteve agendas oficiais em Brasília, São Paulo e Paraná.

Akihito se tornou Imperador do Japão em 1989, posto que permaneceu até 2019, quando abdicou do trono por problemas de saúde.

Histórico

O compartilhamento de dados sobre o EVJ entre o Ministério das Relações Exteriores do Brasil e a diplomacia do Japão começou anos antes da viagem de Akihito.

Correspondências mostram que, desde meados de 1974, representações brasileiras já recebiam, e transmitiam, alertas sobre atividades organização japonesa. Informes sobre a atuação do grupo em Portugal, Espanha, Filipinas e Suécia eram enviados à autoridades brasileiras por meio de embaixadas em tais países.

A troca de informações resultou, inclusive, em uma prisão errada realizada em São Paulo.

Era 1975 quando Tetsuo Kinoshita foi detido por autoridades paulistas, após entrar no Brasil como turista. O nome dele constava em informes enviados pela diplomacia do Japão ao Brasil sobre suposto integrantes do Exército Vermelho Japonês (EVJ).  

Dias depois da prisão, porém, a Embaixada do Japão no Brasil voltou atrás, e disse ter recebido informações de Tóquio sobre Kinoshita não ser um “elemento terrorista nem ligado a grupos terroristas”. Depois do engano, o governo japonês solicitou sua repatriação.

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