Israel: oposição classifica plano de ocupar Gaza como “catástrofe”

O plano do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de ocupar a Cidade de Gaza foi aprovado pelo governo

atualizado

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Imagem de satélite de território na Faixa de Gaza
1 de 1 Imagem de satélite de território na Faixa de Gaza - Foto: Reprodução/Google Earth

Em uma nova escalada no conflito que já dura 22 meses em Gaza, o gabinete de segurança e assuntos políticos de Israel aprovou nesta sexta-feira (8/8) o plano do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de ocupar a Cidade de Gaza, no território palestino da Faixa de Gaza. E as reações adversas já começaram.

O líder da oposição israelense, Yair Lapid, descreveu a decisão de capturar a Cidade de Gaza como uma “catástrofe” que “levará a muitas outras catástrofes”.

Ele também disse que a tomada planejada da maior cidade da Faixa de Gaza deverá levar à morte de mais reféns, bem como à morte de muitos soldados israelenses.

Lapid argumentou que Netanyahu foi pressionado pelos parceiros de coalizão governamental, os ministros Itamar Ben-Gvir (Segurança Nacional) e Bezalel Smotrich (Finanças), e que a aprovação do plano contraria os objetivos das lideranças militares de Israel.

Ultradireitistas, ambos os ministros defendem a captura total da Faixa de Gaza e a expulsão dos cerca de 2 milhões de palestinos que vivem no território.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, classificou o plano como “errado”: “Essa medida não contribuirá para o fim do conflito nem para a libertação dos reféns”, afirmou, alertando que novas ações de Israel “só levarão a mais derramamento de sangue”.

A China também se manifestou, expressando “sérias preocupações” com o plano, instando Israel a “cessar imediatamente suas iniciativas perigosas”: “Gaza pertence ao povo palestino e é parte inseparável do território palestino”, declarou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores por meio de uma mensagem à agencia de notícias AFP.

“A maneira correta de aliviar a crise humanitária em Gaza e garantir a libertação dos reféns é um cessar-fogo imediato. A resolução completa do conflito em Gaza depende de um cessar-fogo. Só assim será possível pavimentar o caminho para aliviar as tensões e garantir a segurança regional”, concluiu o porta-voz.

Mortes e sofrimento

O chefe de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Volker Turk, disse nesta sexta que uma escalada militar por parte de Israel para tomar a Cidade de Gaza causará mais mortes e sofrimento e deve ser interrompida imediatamente.

Em um comunicado, Turk afirmou que o plano israelense vai na direção oposta à decisão da Corte Internacional de Justiça, que insta que Israel deve pôr fim à ocupação o mais rápido possível, além de chegar a uma solução de dois Estados e ao direito dos palestinos à soberania.

“Com base em todas as evidências até o momento, essa nova escalada resultará em mais deslocamentos forçados em massa, mais mortes, mais sofrimento, destruição insensata e crimes atrozes. Em vez de intensificar essa guerra, o governo israelense deveria colocar todos os esforços para salvar a vida dos civis de Gaza, permitindo o fluxo total e irrestrito de ajuda humanitária. E os reféns devem ser libertados imediatamente e incondicionalmente pelos grupos armados palestinos”, declarou Turk.

Quase 200 palestinos morreram de fome em Gaza desde o início da guerra, cerca de metade deles crianças, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, órgão ligado ao Hamas.

Cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 reféns levados para Gaza no ataque terrorista do Hamas a comunidades do sul de Israel em 7 de outubro de 2023. A retaliação israelense em Gaza desde então deixou mais de 61 mil palestinos mortos, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza.

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