Israel é acusado de usar munições proibidas contra civis no Líbano
Relatório da Human Rights Watch afirmou que Israel usou munições de fósforo branco em recentes ataques no Líbano

Entre março e maio deste ano, as Forças de Defesa de Israel (FDI) utilizaram munições de fósforo branco, cujo uso contra alvos civis é proibido pelo direito internacional, durante ataques no Líbano. A informação consta em um relatório de 45 páginas da organização Human Rights Watch (HRW), divulgado nesta quarta-feira (9/9).
De acordo com o documento, 23 incidentes do tipo foram comprovados por investigadores da HRW. Os ataques teriam acontecido na parte sul do território libanês, palco de confrontos entre militares israelenses e o grupo Hezbollah.
Ao todo, a investigação acusa as FDI de utilizarem 33 munições de fósforo branco durante as ações. O governo israelense ainda não se pronunciou sobre o relatório da organização.
Munições de fósforo branco entram em combustão ao explodirem e entrarem em contato com o oxigênio. Elas podem gerar temperaturas acima de 850 ºC, e são capazes de provocar queimaduras intensas se expostas ao corpo humano.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO uso de armas do tipo não é totalmente proibido pelo direito internacional. Bombas de fósforo branco podem ser utilizadas em situações militares, já que sua queima provoca uma fumaça densa e branca, que pode servir como forma de sinalizar posições ou iluminar fronts de guerra durante à noite.
Em teoria, munições de fósforo branco são proibidas pelo Protocolo III da Convenção sobre Certas Armas Convencionais (CCW). No tratado internacional, em vigor desde a década de 1980, a utilização de armas incendiárias contra áreas civis é vetado.
Alguns países, contudo, argumentam que tais bombas não possuem a função de queimar, mas sim de causar fumaça e iluminação — o que retiraria as munições de fósforo branco das obrigações da CCW.
O relatório da HRW surge em meio à continuidade da violência no Líbano, apesar de um frágil cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em junho deste ano.
Mesmo com a trégua, ataques entre Hezbollah e Israel têm sido registrados nos últimos meses.



