Irã responde Trump e ironiza Israel após trégua: “Correu para o papai”

Chanceler do Irã diz que Israel recorreu aos EUA para escapar de mísseis e alertou, ainda, que Trump deveria repensar o tom ofensivo

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Abbas Araqchi, chanceler do Irã - Metrópoles
1 de 1 Abbas Araqchi, chanceler do Irã - Metrópoles - Foto: Sayed Hassan/Getty Images

O governo iraniano respondeu com críticas e provocações às declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a escalada militar entre Irã e Israel. O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, usou as redes sociais nesta sexta-feira (27/6) para contestar as falas do republicano e, ao mesmo tempo, enviar um recado ao governo israelense, referindo-se ao país como alguém que “correu para o papai” em busca de proteção.

As reações iranianas surgem após a ofensiva militar que durou quase duas semanas e envolveu bombardeios norte-americanos contra instalações nucleares iranianas. Trump classificou a operação como uma “grande vitória” dos Estados Unidos e sugeriu que poderia ordenar novos ataques se houver continuidade no programa de enriquecimento de urânio do Irã.

“Se houver qualquer sinal de que o Irã está retomando o enriquecimento, não hesitarei em agir de novo”, afirmou Trump em coletiva na Casa Branca nesta sexta-feira (27/6). O presidente também disse que o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, teria mentido à população iraniana ao declarar que o país saiu vitorioso do conflito. Segundo ele, “a guerra terminou assim que lançamos as bombas”.

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Trump exige fim do julgamento de Netanyahu: "Uma caça às bruxas"
Ali Khamenei, Donald Trump e Benjamin Netanyahu
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Resposta iraniana

Em publicação na rede X, Araqchi afirmou que o povo iraniano “valoriza sua independência” e “não aceita ser tratado com desrespeito”. Ele criticou diretamente o tom adotado por Trump ao se referir a Khamenei, considerado uma figura sagrada para milhões de iranianos.

“O presidente dos EUA deveria repensar sua linguagem ofensiva e parar de ferir os sentimentos de tantos que seguem nosso líder religioso”, escreveu. Ainda na mesma mensagem, Araqchi ironizou a atuação israelense durante a guerra, dizendo que o país precisou recorrer ao apoio americano para evitar um revés militar.

“Israel não teve outra escolha a não ser pedir ajuda ao ‘papai’ para não ser esmagado por nossos mísseis”, afirmou, em alusão ao comentário do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que comparou a pressão de Trump sobre os dois países a uma repreensão paterna.

O chanceler também alertou que o Irã não hesitará em revelar o que chamou de “capacidades reais” do seu poderio militar caso se sinta ameaçado no futuro.

Veja publicação:

Israel promete manter ofensiva

Do lado israelense, o ministro da Defesa, Israel Katz, adotou um tom igualmente combativo. Segundo ele, os ataques realizados contra alvos iranianos foram apenas o começo de uma nova política de dissuasão, especialmente após os ataques de 7 de outubro, que mudaram a abordagem de segurança do país.

“O que vimos foi apenas a prévia. Instruí as Forças Armadas a prepararem um plano de resposta permanente contra o Irã”, anunciou Katz. Ele afirmou que o objetivo é manter a vantagem aérea de Israel no Oriente Médio e impedir o avanço dos programas nucleares e de mísseis do Irã.

Em outro comunicado, o chefe da Força Aérea de Israel, general Tomer Bar, disse que o país tem atualmente a capacidade de posicionar aeronaves sobre Teerã “a qualquer momento”, o que chamou de fator decisivo no equilíbrio estratégico da região.

A imprensa israelense também divulgou que o Mossad, agência de inteligência do país, enviou um alerta à população iraniana em farsi, aconselhando que fiquem longe de bases e membros da Guarda Revolucionária. O recado faz referência a possíveis novos ataques, usando a expressão: “se ouvir um som como o de um cortador de grama vindo do céu, afaste-se”.

Programa nuclear segue em impasse

Apesar da trégua atual, os desentendimentos em torno do programa nuclear iraniano continuam. Trump afirmou que o Irã estaria disposto a negociar, mas as autoridades do país negam qualquer intenção nesse sentido.

O Irã insiste que suas atividades nucleares têm fins pacíficos e que o enriquecimento de urânio é um direito soberano. No entanto, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU, identificou níveis acima do permitido em inspeções recentes — embora não tenha detectado sinais concretos de uma arma nuclear.

Após os bombardeios, o Irã suspendeu a cooperação com a AIEA e criticou a conduta do diretor-geral da agência, Rafael Grossi, classificando-a como “hostil e mal-intencionada”. A AIEA tenta obter autorização para inspecionar as usinas de Natanz, Fordow e Isfahan, que foram atingidas durante os ataques, mas enfrenta resistência por parte de Teerã.

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