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Mundo

Irã inicia funeral de Ali Khamenei e tenta mostrar poder após guerra

Funeral do aiatolá Ali Khamenei começará neste sábado (4/7), com cerimônias que devem se estender até 9 de julho em Mashhad

04/07/2026 04:30
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Agência Tasnim
Funeral do líder islâmico Ali Khamenei, morto em fevereiro durante ataques dos EUA e Israel

O Irã inicia neste sábado (4/7) os eventos abertos ao público de uma das maiores cerimônias fúnebres de sua história. A nação persa vai se despedir do aiatolá Ali Khamenei, o antigo líder supremo do país, assassinado em 28 de fevereiro durante ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel.

Após mais de quatro meses de adiamento, um intervalo incomum para a tradição islâmica, o governo iraniano organizou um funeral de seis dias que reúne ritos religiosos, homenagens militares e demonstrações de força política.

As autoridades classificam a despedida como “o funeral do século”. Milhões de pessoas são esperadas nas cerimônias, que passarão por diferentes cidades consideradas sagradas para o islamismo xiita antes do sepultamento definitivo de Khamenei na cidade natal dele, chamada Mashhad.

Cerimônia fúnebre

As cerimônias oficiais de despedida tiveram início nessa quinta-feira (2/7) com um evento reservado a autoridades iranianas, líderes religiosos e representantes de dezenas de países aliados de Teerã. A solenidade marcou a abertura do funeral de Estado do ex-líder supremo.

As homenagens públicas começam neste sábado (4/7), quando milhares de iranianos são esperados na Grande Mosalla de Teerã para prestar as últimas homenagens ao aiatolá.

O complexo religioso, um dos maiores do país, recebeu uma estrutura especial para a cerimônia, com forte esquema de segurança e medidas para amenizar as altas temperaturas do verão iraniano, incluindo sistemas de refrigeração.

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Funeral de Ali Khamenei ocorre em Teerã, capital do Irã
Chefe do Judiciário iraniano Gholam-Hossein Mohseni-Eje'i, presidente do Parlamento Mohammad Ghalibaf e presidente, Masoud Pezeshkian
Funeral do líder islâmico xiita Ali Khamenei
Funeral de Ali Khamenei ocorre em Teerã, capital do Irã
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Funeral de Ali Khamenei ocorre em Teerã, capital do Irã

Agência Tasnim
Chefe do Judiciário iraniano Gholam-Hossein Mohseni-Eje'i, presidente do Parlamento Mohammad Ghalibaf e presidente, Masoud Pezeshkian
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Chefe do Judiciário iraniano Gholam-Hossein Mohseni-Eje'i, presidente do Parlamento Mohammad Ghalibaf e presidente, Masoud Pezeshkian

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Funeral do líder islâmico xiita Ali Khamenei
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Funeral do líder islâmico xiita Ali Khamenei

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Seis dias de funeral

O funeral foi dividido em diferentes etapas e percorrerá cidades de grande importância política e religiosa para a República Islâmica.

Confira:

Etapas no Iraque

Segundo a programação divulgada pelas autoridades iranianas, o corpo também passará pelas cidades iraquianas de Najaf e Karbala, dois dos principais centros de peregrinação do islamismo xiita.

As homenagens nesses locais têm forte significado religioso, já que abrigam os santuários do imã Ali e do imã Hussein, figuras centrais da tradição xiita.

Enterro em Mashhad

A última etapa ocorrerá em Mashhad, cidade onde Ali Khamenei nasceu, em 1939. O ex-líder será enterrado no complexo do Santuário do Imã Reza, um dos locais mais sagrados do islamismo xiita e destino de milhões de peregrinos todos os anos.

Enterro foi adiado por conta da guerra

Pela tradição islâmica, o sepultamento costuma ocorrer poucas horas após a morte, preferencialmente em até 24 horas. No caso de Ali Khamenei, porém, o funeral precisou ser adiado por cerca de quatro meses em razão da guerra iniciada logo após sua morte.

A ofensiva envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel tornou inviável a realização de uma cerimônia pública em meio aos confrontos e às preocupações com a segurança.

O corpo do ex-líder permaneceu preservado sob refrigeração durante esse período, procedimento considerado aceitável no islamismo em situações excepcionais, como guerras, desastres naturais ou quando existem impedimentos para o sepultamento imediato.

Esquema de segurança reforçado

O funeral contará com uma das maiores operações de segurança já realizadas pela República Islâmica.

O governo mobilizou integrantes da Guarda Revolucionária, forças policiais e membros da milícia Basij para proteger os locais por onde passarão os cortejos e as cerimônias.

Além do efetivo reforçado, foram instaladas barreiras de concreto, áreas de acesso controlado e equipamentos de monitoramento para acompanhar a movimentação das multidões. A expectativa é de que mais de 1 milhão de pessoas participem das homenagens ao longo dos seis dias de funeral, tornando a segurança uma das principais prioridades das autoridades iranianas.

Quem participará das cerimônias?

Além das principais autoridades iranianas, o funeral de Estado contará com representantes de diversos países aliados de Teerã. Segundo a imprensa internacional, delegações oficiais da Rússia, China, Iraque, Paquistão, Líbano e de outras nações participarão das cerimônias realizadas na capital iraniana.

A principal ausência nos atos públicos será a do atual líder supremo, Mojtaba Khamenei. Segundo autoridades iranianas, ele permanecerá afastado das cerimônias por motivos de segurança, diante do risco de um possível atentado durante o funeral.

Nos últimos dias, o aiatolá Hakim Elahi, representante do líder supremo na Índia, afirmou que Israel dispõe de tecnologia capaz de rastrear a localização de Mojtaba, o que justificaria sua ausência. Desde os ataques de 28 de fevereiro, ele não fez nenhuma aparição pública confirmada, alimentando especulações sobre seu estado de saúde, embora o governo insista que ele continua exercendo normalmente suas funções.

Funeral como demonstração de poder

Mais do que uma cerimônia de despedida, o funeral de Ali Khamenei é visto pelo governo iraniano como uma demonstração de unidade nacional após meses de guerra.

A mobilização também busca reforçar a legitimidade da nova liderança, transmitir uma mensagem de resistência aos Estados Unidos e a Israel e reafirmar a importância política e religiosa de Khamenei, que permaneceu por 36 anos à frente da República Islâmica e se tornou uma das figuras mais influentes do Oriente Médio nas últimas décadas.

Quem foi Ali Khamenei?

Ali Khamenei nasceu em 1939, na cidade de Mashhad, no nordeste do Irã, e tornou-se líder supremo do país em 1989, após a morte do aiatolá Ruhollah Khomeini. Desde então, exerceu a mais alta autoridade política e religiosa da República Islâmica por 36 anos.

Clérigo formado nos estudos islâmicos, participou da oposição ao xá Mohammad Reza Pahlavi antes da Revolução Islâmica de 1979. Durante esse período, foi preso diversas vezes, viveu na clandestinidade e passou pelo exílio interno. Em 1981, sobreviveu a um atentado a bomba que deixou sequelas permanentes em seu braço direito.

À frente do país, consolidou amplo poder sobre a Guarda Revolucionária, o Judiciário, o Parlamento, os serviços de inteligência e os meios de comunicação estatais. Embora ocupasse um cargo religioso, suas decisões influenciaram diretamente a política interna, a economia e a estratégia militar iraniana.

Ao assumir a liderança, Khamenei afirmou ser “um modesto seminarista” e declarou que empregaria “todas as suas capacidades” para cumprir a responsabilidade de comandar a República Islâmica.

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Aiatolá Ali Khamenei, líder máximo do Irã
Ali Khamenei
O aiatolá Ali Khamenei liderou o Irã entre 1989 e 2026
Ali Khamenei
Líder supremo do Irã, Ali Khamenei
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Líder supremo do Irã, Ali Khamenei

Anadolu Agency/Getty Images
Aiatolá Ali Khamenei, líder máximo do Irã
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Aiatolá Ali Khamenei, líder máximo do Irã

Office of the Supreme Leader of Iran via Getty Images
Ali Khamenei
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Ali Khamenei

Reprodução/Wikipedia
O aiatolá Ali Khamenei liderou o Irã entre 1989 e 2026
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O aiatolá Ali Khamenei liderou o Irã entre 1989 e 2026

Sobhan Farajvan/Pacific Press/LightRocket via Getty Images
Ali Khamenei
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Ali Khamenei

Handout

Seu governo foi marcado por sucessivas crises internas e pelo endurecimento da repressão contra manifestações populares. Organizações internacionais de direitos humanos acusaram repetidamente as forças de segurança iranianas de utilizar violência excessiva contra manifestantes. O líder, por sua vez, atribuía parte dos protestos à atuação de Estados Unidos e Israel, os acusando de incentivar a instabilidade no país.

Na política externa, manteve uma postura de confronto com o Ocidente e defendeu que o programa nuclear iraniano tinha objetivos exclusivamente pacíficos. Ainda assim, Estados Unidos e aliados acusavam Teerã de buscar capacidade para desenvolver armas nucleares, agravando as tensões diplomáticas, especialmente após a retirada americana do acordo nuclear em 2018.

Khamenei era casado com Mansoureh Khojasteh Baqerzadeh e teve seis filhos. Após a morte dele, o comando da República Islâmica passou para o segundo filho, Mojtaba Khamenei.

O funeral encerra um dos capítulos mais importantes da história da República Islâmica e marca oficialmente o início de uma nova fase sob a liderança de Mojtaba Khamenei. Ao mesmo tempo, ocorre em meio às tensões persistentes entre Teerã, Washington e Tel Aviv, tornando as cerimônias não apenas um momento de luto nacional, mas também uma demonstração de força política e religiosa diante da comunidade internacional.