Irã executa jornalista Ruhollah Zam, que inspirou protestos no país em 2017

Ele foi enforcado na manhã deste sábado (12/12), acusado de "fomentar a violência"

atualizado 12/12/2020 14:27

Ruhollah ZamReprodução/ Twitter

O Irã executou o jornalista e ativista Ruhollah Zam, na manhã deste sábado (12/12). Segundo a agência de notícias Nour, o responsável pelo canal on-line Amadnews, com mais de 1 milhão de seguidores, recebeu a sentença sob a acusação fomentar a violência durante protestos antigovernamentais em 2017.

Filho de um clérigo xiita pró-reforma, Zam chegou a fugir do Irã e receber asilo na França, mas acabou capturado. Em outubro de 2019, a Guarda Revolucionária do Irã disse que prendeu Zam em uma “complexa operação de inteligência”, sem informar onde a operação ocorreu.

A Nour News informou ainda que, “depois de viajar para o Iraque em setembro de 2019, ele foi preso por agentes do serviço de inteligência da Guarda Revolucionária e levado ao Irã”.

O grupo de direitos humanos Anistia Internacional criticou fortemente a confirmação da pena, que foi mantida na última terça-feira pela Suprema Corte do país. “A Suprema Corte do Irã sustentando a sentença de morte de #RouhollahZam, um jornalista e dissidente, é uma escalada chocante no uso da pena de morte pelo Irã como arma de repressão”, disse em comunicado.

Entenda o caso

O jornalista foi procurado, preso e condenado pós o site e o canal que ele criou no aplicativo de mensagens Telegram divulgaram os horários dos protestos e dados sobre autoridades em 2017. Tais informações desafiavam diretamente o governo iraniano.

Além disso, ele também foi acusado de “participar da destruição de propriedade, interferir no sistema econômico do país, trabalhar com o governo dos Estados Unidos, espionar para a inteligência francesa e espionar para o serviço de inteligência de um país da região”.

“Este indivíduo cometeu atos criminosos e corruptos contra a segurança e os meios de subsistência do povo iraniano por meio do canal do antagonista Amad News Telegram e da comunicação de espionagem com elementos ligados a serviços estrangeiros que são contra a segurança do povo iraniano”, diz um comunicado no Mizan, o site oficial de notícias do poder judiciário do Irã.

 

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