Irã descarta avanço nas negociações de paz com os Estados Unidos
Segundo governo do Irã, divergências sobre o acordo de paz com os Estados Unidos são “profundas e numerosas”
atualizado
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O governo do Irã afirmou que, após mais uma rodada de conversas sobre o fim da guerra com os Estados Unidos, com a mediação do Paquistão, a situação ainda continua indefinida. A informação foi divulgada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, nesta sexta-feira (22/5).
A manifestação surgiu após visita do chefe do Estado-Maior do Exército do Paquistão, Asim Munir, ao país. O objetivo foi discutir a resposta dos EUA a última proposta de paz enviada pelo Irã nesta semana.
“A viagem do comandante do Exército do Paquistão é uma continuação do processo diplomático, e não se pode dizer que necessariamente significa que chegamos a um ponto de virada ou a uma situação decisiva”, afirmou Baqaei à mídia estatal do país. “Não podemos dizer que chegamos a um ponto em que o acordo está próximo. Não não é assim”.
Segundo o porta-voz da chancelaria iraniana, ambos os lados ainda enfrentam divergências “profundas e numerosas” relacionadas ao acordo. Entre elas temas relacionados ao programa nuclear do Irã, e o enriquecimento de urânio. Tais assuntos, segundo Baqaei, só devem ser discutidos após um pacto que encerre o conflito em todas as frentes, incluindo os ataques de Israel no Líbano.
“Nas condições atuais, primeiro devemos alcançar o fim da guerra com coordenadas que atendam às nossas preocupações e interesses”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã.
Negociação ampliada
Além do militar paquistanês, o governo iraniano informou que representantes do Catar participaram da nova rodada de negociações. Elas são baseadas na recente proposta transmitida aos EUA pelo Irã, cujos termos são bastante semelhantes aos contidos no texto com 14 pontos apresentado por Teerã no início deste mês — e rejeitados por Washington.
Entre as principais reivindicações iranianos estão: o fim do conflito, a retirada de sanções contra o país, e uma indenização dos EUA por conta da destruição provocada pela guerra. Nenhum dos pontos, contudo, cita a questão nuclear, a principal reivindicação norte-americana nas conversas.
Enquanto o diálogo diplomático não avança, o cessar-fogo entre os dois países continua em vigor há seis semanas. Apesar das ameaças contra o país persa, Donald Trump afirmou nesta semana que não não tem “pressa nenhuma” para o fim das negociações.