Irã classifica nova ameaça de sanções dos EUA: “Terrorismo econômico”
As sanções teriam como alvo empresas e navios que o Departamento do Tesouro afirma exportarem petróleo e gás natural iranianos
atualizado
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O Ministério das Relações Exteriores do Irã criticou a possibilidade de novas sanções por parte dos Estados Unidos (EUA), classificando a medida como “terrorismo econômico”.
A reação veio após declarações do secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, que indicou que Washington pode ampliar as restrições contra Teerã. Segundo o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, essas ações equivalem a práticas de extorsão estatal e, pelos seus efeitos acumulados, poderiam até ser consideradas crimes contra a humanidade.
A declaração foi publicada nesta quinta-feira (16/4) na rede social X.
“São nada menos que terrorismo econômico e extorsão patrocinada pelo Estado – ações que constituem crimes contra a humanidade e, no seu efeito cumulativo, constituem genocídio”, disse o porta-voz do ministério, Esmaeil Baghaei.
Para o governo iraniano, a intensificação das sanções representa uma forma de pressão econômica extrema, com impactos diretos sobre a população.
Do lado americano, o alerta foi feito durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, na quarta-feira (15/4). A proposta inclui a adoção de sanções secundárias, que não atingiriam apenas o Irã, mas também empresas, embarcações e até países envolvidos na comercialização de petróleo e gás iranianos.
“Estamos agora dispostos a aplicar sanções secundárias, o que é uma medida muito severa, e os iranianos devem saber que isto será o equivalente financeiro do que vimos nas atividades cinéticas”, disse Bessent aos jornalistas.
Essas possíveis medidas teriam como foco navios e companhias acusados pelo Departamento do Tesouro de exportar recursos energéticos do Irã, além de nações que mantêm relações comerciais com o país nesse setor.
Novas sanções de Trump contra o Irã
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, nessa quarta-feira (15/4), novas sanções direcionadas à estrutura de transporte de petróleo do Irã. As medidas atingem mais de 20 indivíduos, empresas e embarcações ligadas ao setor.
A iniciativa integra a estratégia de “pressão econômica máxima” adotada pelo governo do presidente Donald Trump contra o país. Segundo as autoridades americanas, as sanções passaram a valer imediatamente após o anúncio.
“O Tesouro está agindo de forma agressiva com a Operação Fúria Econômica, ao mirar elites do regime, como a família Shamkhani, que tentam lucrar às custas do povo iraniano”, disse o secretário do Tesouro, Scott Bessent, em comunicado.
Entre os alvos está Mohammad Hossein Shamkhani, apontado como uma figura relevante nas operações de comercialização de petróleo iraniano. Ele é filho de Ali Shamkhani, importante nome nas áreas de segurança e do programa nuclear do Irã, que morreu em ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra Teerã no fim de fevereiro.
Além disso, o Tesouro norte-americano também incluiu na lista de sancionados o cidadão iraniano Seyed Naiemaei Badroddin Moosavi, acusado de atuar como financiador do grupo Hezbollah. Três empresas igualmente foram atingidas, sob suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro que envolvia a venda de petróleo iraniano em troca de ouro proveniente da Venezuela.
As ações reforçam a tentativa de Washington de restringir fontes de receita do governo iraniano, especialmente aquelas ligadas à exportação de energia.








