ICE faz post ameaçando rastrear e prender quem "votar ilegalmente" nos EUA
ICE fez post em tom de ameaça nesta terça-feira (3/11), dia das eleições de meio de mandato dos EUA: "Nós vamos te rastrear"

O Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) publicou nesta terça-feira (3/11), dia das eleições de meio de mandato no país, um alerta que ameaça rastrear, prender e processar qualquer pessoa que “votar ilegalmente”.
Em publicação na rede social X, a agência afirmou que vai localizar e responsabilizar quem descumprir as regras eleitorais.
“Se você votar ilegalmente, nós o encontraremos. Nós o rastrearemos, prenderemos e processaremos. Não haverá escapatória”, diz a mensagem.
O alerta foi divulgado em meio a preocupações com possíveis intimidações de eleitores durante a votação. Organizações de direitos civis recorreram à Justiça para contestar a atuação de agentes federais nas proximidades de locais de votação. O governo, por sua vez, afirmou que integrantes do ICE e do FBI não atuarão como fiscais eleitorais.
If you vote illegally, we will find you. We will track you down, arrest you, and prosecute you.
There will be no escape.
— U.S. Immigration and Customs Enforcement (@ICEgov) November 3, 2026
Ações do governo Trump sobre votos de “não cidadãos”
O governo de Donald Trump tem ampliado as iniciativas para investigar possíveis casos de votação ilegal por pessoas que não têm cidadania norte-americana. Embora a legislação federal proíba não cidadãos de votar em eleições federais, registros desse tipo de irregularidade são considerados raros.
Na segunda-feira (2/11), a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou um pedido do governo federal para que cerca de 20 mil cédulas eleitorais da Califórnia fossem separadas até que a cidadania dos eleitores pudesse ser verificada.
A administração Trump alegou que os nomes dessas pessoas constavam em uma lista de indivíduos que o governo considerava possivelmente não cidadãos. O pedido buscava impedir que as cédulas associadas a esses eleitores fossem contabilizadas antes da confirmação de sua situação migratória.
A Suprema Corte negou a solicitação em uma decisão sem assinatura e não apresentou justificativas detalhadas para a medida. Não houve registro de votos divergentes entre os ministros.
A tentativa do governo federal havia sido rejeitada anteriormente por um tribunal de primeira instância e por uma corte de apelações. Autoridades da Califórnia argumentaram que o governo não apresentou provas de que as pessoas incluídas na lista fossem, de fato, não cidadãos ou tivessem enviado votos.
Eleição de meio de mandato
As eleições definirão a composição da Câmara dos Representantes e parte do Senado, além de cargos estaduais. Ao todo, estão em disputa 35 das 100 cadeiras do Senado, os 435 assentos da Câmara e 36 governos estaduais.
O pleito ocorre em meio a um período de desgaste da administração do presidente Donald Trump, marcado por questionamentos à condução do governo, pelo prolongamento da guerra contra o Irã e pela alta do custo de vida.
Mais de 58 milhões de eleitores registraram votos antecipados em todo o país, segundo levantamento da Universidade da Flórida. O número representa um aumento em relação ao total registrado nas eleições de meio de mandato de 2022.
Além das disputas por cargos, os eleitores também votam em propostas submetidas à consulta popular, conhecidas como ballot measures. Os temas variam de mudanças nas regras de administração eleitoral a questões relacionadas ao acesso ao aborto.












