Guerras no Irã e Ucrânia se chocam após episódio com navio iraniano
Zelensky acusou Irã e Rússia de atuarem em conjunto nas guerras da Europa e Oriente Médio; Teerã e Moscou negam as alegações

Geograficamente distantes, as guerras no Irã e Ucrânia se aproximaram no último fim de semana, depois que presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, divulgou informações sobre o bombardeio que atingiu um navio iraniano.
A embarcação iraniana foi alvejada e deixou um marinheiro morto, após a inteligência ucraniana apontar que a mesma transportava material militar do Irã para a Rússia. O que, na visão de Kiev, a tornava um alvo legítimo.
O governo do Irã negou que o navio estivesse transportando armas para a Rússia, e acusou Zelensky de “espalhar as chamas da guerra e da insegurança”.
O episódio se somou a acusações semelhantes contra o país persa que se acumulam desde 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO Irã é apontado por autoridades ucranianas como um dos países que têm apoiado os russos militarmente. A cooperação se daria, principalmente, por meio da exportação de drones iranianos Shahed para a Rússia.
O que está acontecendo?
- Zelensky voltou a apontar ligações entre o Irã e a guerra no Leste Europeu após um navio iraniano ser atacado pela Ucrânia.
- Segundo o presidente ucraniano, a embarcação estaria transportando material militar do Irã para a Rússia.
- O governo do Irã, no entanto, negou as acusações e disse que o navio transportava carga comercial.
- Além da suposta participação iraniana no conflito europeu, Zelensky voltou a reforçar que a Rússia também atua na guerra entre EUA e Irã.
- De acordo com o líder ucraniano, forças do Irã receberam imagens de satélites russos que guiaram as ações contra instalações dos EUA em países do Golfo.
Irã promete resposta
Logo após o ataque, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, discutiu a escalada com a chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, e o ministro das Relações da Rússia, Sergey Lavrov.
Depois das ameaças de Teerã, Andrii Sybiha, ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, veio a público e afirmou que o Irã não “tem legitimidade para se fazer de vítima”.
“As ameaças do Irã são injustificadas e infundadas”, disse o chanceler ucraniano em uma publicação na rede social X. “O regime em Teerã é um cúmplice direto da agressão russa contra a Ucrânia, alimentando a guerra criminosa de Moscou com armas que mataram ucranianos desde 2022”.
Ainda assim, o posicionamento do Irã foi reforçado na segunda-feira (27/7) pelo porta-voz da chancelaria do país, Esmaeil Baqaei.
“É preciso ter certeza de que uma manobra teatral destinada a atrair atenção e projetar um nível de influência internacional que não se possui de fato não ficará contida”, afirmou Baqaei durante coletiva de imprensa.
Participação russa em ataques no Oriente Médio?
Além do suposto envio da carga de armas que seriam utilizadas na guerra do Leste Europeu, Zelensky reforçou acusações sobre a cooperação entre Rússia e Irã no conflito do Oriente Médio.
De acordo com o presidente da Ucrânia, forças iranianas estariam recebendo a ajuda de satélites russos para definir alvos e realizar ataques a posições norte-americanas em países do Golfo Pérsico.
Desde o fim do cessar-fogo entre EUA e Irã, no início de julho, satélites da Rússia estariam sobrevoando nações alvos das operações retaliatórias iranianas.
“Essas imagens posteriormente aparecem no Irã. Ao mesmo tempo, há uma clara correlação entre as imagens de satélite da Rússia desses locais e os ataques iranianos — tanto antes dos ataques, na preparação para eles, quanto depois, para avaliar danos causados”, declarou Zelensky.
















