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Guerra no Oriente Médio ameaça coesão e ambição política dos Brics

Tensão no Oriente Médio fez países se posicionarem, evidenciando diferentes percepções sobre o conflito, inclusive dentro dos Brics

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Marcos Oliveira/Agência Senado
brics congresso - Metrópoles
1 de 1 brics congresso - Metrópoles - Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

A escalada das hostilidades no Oriente Médio ameaça fragilizar a articulação interna e as ambições políticas dos Brics, grupo que se vê dividido com o conflito. A região enfrenta uma tensão regional desde o último sábado, quando Estados Unidos e Israel fizeram um ataque coordenado ao Irã.

Em resposta, o Irã fez ataques retaliatórios a nações aliadas dos EUA no Oriente Médio, incluindo a Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos — países que dividem a parceria com o Irã nos Brics.

O aumento da tensão na região fez países do mundo inteiro se posicionarem, evidenciando diferentes percepções sobre o conflito. Sob a ótica dos Brics, o grupo se dividiu entre aqueles que condenaram as agressões contra o Irã e os que se posicionaram a favor de Israel.

Brics se divide sobre Oriente Médio

O Brasil, ainda que de maneira mais branda, adotou posicionamento parecido com o de Rússia e China, e condenou os ataques contra o Irã. Em nota publicada pelo Itamaraty, o governo brasileiro pediu pelo fim das hostilidades na região e exaltou a necessidade de encontrar uma solução pelas vias diplomáticas.

Já a Índia, embora não tenha se manifestado oficialmente, possui um alinhamento histórico com os Estados Unidos e se solidarizou com os países mulçumanos atacados pelo Irã. Poucos dias antes dos ataques, o premiê indiano, Narendra Modi, visitou Israel.

Narendra Modi se encontrou com Benjamin Netanyahu em Israel

Por outro lado, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos condenaram veementemente as agressões cometidas pelo Irã. Os países ainda chegaram a convocar os respectivos embaixadores iranianos para prestar esclarecimentos sobre os ataques — a medida não é bem vista no meio diplomático.

Os diferentes posicionamentos, na avaliação de analistas consultados pelo Metrópoles, expõem a diversidade dos Brics e afasta o grupo de ambições políticas, e até mesmo de alcançar uma unidade como bloco.


O que está acontecendo?

  • No último sábado (28/2), Israel e Estados Unidos lançaram ataques contra o Irã.
  • Assim como na guerra de 12 dias em 2025, o programa nuclear iraniano foi usado como justificativa para os bombardeios.
  • Eles aconteceram dias após EUA e Irã realizarem negociações sobre um possível acordo nuclear entre os dois países.
  • A operação militar resultou na morte do líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, e de outras lideranças iranianas.
  • De acordo com o presidente norte-americano, Donald Trump, os ataques devem continuar até que a capacidade militar iraniana seja destruída.

Racha expõe diferenças do Brics

Na avaliação de Josemar Franco, gerente de Comércio Internacional da BMJ Consultores Associados, as recentes declarações dos países-membros dos Brics expõem uma característica que bloco ganhou desde que anunciou a expansão de 2023.

“O Brics é um grupo muito diverso e ganhou esse peso depois da expansão e inclusão de outros países. Essa diversidade fica ainda mais evidente em momentos de posicionamento diplomático. Não é um bloco coeso e difícil que essa coesão venha a ser estabelecida ao bloco”, reforça Josemar.

Brics é um bloco de nações emergentes originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — que foi incluída ao grupo 10 anos depois de sua fundação. Em 2023, o grupo passou por sua primeira expansão, após pressão de Rússia e China, em busca de novos aliados globais.

Desde então, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Indonésia, passaram a integrar o bloco como novos membros, e Irã, Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã, como parceiros.

O analista pontua que a diversidades é uma característica já consolidada do bloco e que não deve causar grandes rupturas no grupo. Neste sentido, Franco reforça que os Brics nunca conseguiu se desprender do foco econômico que deu origem ao bloco.

Guerra no Oriente Médio ameaça coesão e ambição política dos Brics - destaque galeria
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Hostilidade na região evidenciou divisão nos Brics
Brasil foi um dos países que condenou o ataque dos EUA e Israel contra o Irã
Conflito no Oriente Médio chega ao 5º dia nesta quarta-feira (04/3)
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Conflito no Oriente Médio chega ao 5º dia nesta quarta-feira (04/3)

Houssam Shbaro/Anadolu via Getty Images
Hostilidade na região evidenciou divisão nos Brics
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Hostilidade na região evidenciou divisão nos Brics

Per-Anders Pettersson/Getty Images
Brasil foi um dos países que condenou o ataque dos EUA e Israel contra o Irã
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Brasil foi um dos países que condenou o ataque dos EUA e Israel contra o Irã

Ricardo Stuckert/PR

Bloco fica distante de ambições políticas

Embora tenha surgido com objetivos econômicos, o Brics adotou um caráter mais político anos últimos anos. Josemar Franco pontua, no entanto, que para os objetivos políticos do bloco alcançarem efeitos, é preciso que haja coesão entre seus membros.

Rachas expostos como neste momento demonstram como o grupo está longe de tornar sua atuação política sólida. Parte das intenções políticas dos Brics tem influência russo-chinesa, que questionam a atual configuração da ordem mundial — onde as nações ocidentais, conduzidas pelos EUA e União Europeia, dominam a agenda geopolítica.

Enquanto Pequim busca se posicionar como a principal economia do mundo e Moscou deseja aliviar os impactos da guerra contra a Ucrânia, as duas nações apostam no Brics como bloco político. Nos últimos anos, declarações conjuntas do grupo e votações dos países-membros em órgão como as Nações Unidas, deram indícios dessas articulações.

Os países que formam o grupo também passaram a se reunir para discutir coordenação internacional entre seus membros. Em fevereiro, por exemplo, embaixadores dos países dos Brics se reuniram na Rússia com o objetivo de discutir o “perfil internacional do bloco“. Na pauta do encontro: fortalecer a coordenação entre seus membros em fóruns internacionais.

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