Governo Trump processa Harvard por não fornecer registros de admissão
Governo dos EUA acusa Harvard de não cooperar plenamente com uma investigação federal sobre processos de admissões de alunos
atualizado
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O governo Trump entrou com uma ação judicial contra a Universidade de Harvard, nesta sexta-feira (13/2), acusando a instituição de não cooperar plenamente com uma investigação federal sobre processos de admissões de alunos e de reter registros exigidos pelo Departamento de Justiça (DOJ).
A investigação em questão busca determinar se a universidade ainda considera a raça dos candidatos em suas decisões de admissão, mesmo com o fim das políticas de ação afirmativa decidido pela Suprema Corte dos EUA em 2023.
De acordo com o The Wall Street Journal, a ação contra a universidade foi protocolada em um tribunal federal no Distrito de Massachusetts e alega que Harvard adiou sem motivos claros ou não forneceu dados essenciais solicitados como parte de uma revisão de conformidade com a lei de direitos civis. O principal objetivo, segundo o processo, é obrigar a universidade a entregar os registros solicitados para que a investigação prossiga.
O governo exige que Harvard entregue dados individuais de candidatos, notas de testes, médias escolares, atividades extracurriculares, informações raciais e resultados de admissões dos últimos cinco anos, além de correspondências internas e políticas relacionadas ao processo seletivo. A justificativa do DOJ é que esses documentos são necessários para verificar se a universidade está obedecendo às leis que proíbem discriminação com base em raça.
A Universidade de Harvard nega que esteja retendo informações de forma indevida e afirmou que tem cooperado “de boa fé” com o governo, cumprindo as leis federais e as exigências da Suprema Corte.
A universidade também defende sua autonomia acadêmica e considera a demanda por documentos adicionais um excesso de alcance por parte das autoridades.
Governo Trump x Harvard
A disputa ocorre em meio a um clima mais amplo de tensão entre a administração federal e instituições de ensino superiores nos EUA.
No início deste mês, Trump voltou a atacar publicamente a universidade, acusando-a de ser “fortemente antissemita” e afirmando que buscaria uma indenização de US$ 1 bilhão da instituição. Na ocasião, disse ainda que o governo “não quer mais nenhum contato” com Harvard.
Em 2025, a administração Trump congelou cerca de US$ 3,2 bilhões em bolsas e contratos federais destinados à universidade e tentou impedir que a instituição admitisse estudantes estrangeiros. A medida foi barrada pela Justiça.
Em julho do mesmo ano, o Departamento de Segurança Interna exigiu listas e registros detalhados de alunos estrangeiros, questionando o credenciamento da universidade e alegando preocupações com segurança nacional e supostas violações de direitos civis.
Paralelamente, o Departamento de Estado abriu investigação sobre o programa de intercâmbio da instituição, dando prazo para a entrega de documentos.
Estudantes estrangeiros representam cerca de um quarto do corpo discente de Harvard e são considerados essenciais para o modelo acadêmico e financeiro da universidade.
