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Gelo marinho da Antártida sofreu "redução massiva", diz relatório

“Essa é uma queda realmente dramática na extensão do gelo marinho na Antártida”, disse o chefe de monitoramento climático da OMM

10/07/2023 16:29, atualizado 10/07/2023 17:52
IStock
Gelo marinho da Antártida sofreu “redução massiva”, diz relatório

Um relatório com dados preliminares sobre a situação climática, divulgado nesta segunda-feira (10/7) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) da Organização das Nações Unidas (ONU), apresentado em Genebra, Suíça, mostrou que o gelo marinho da Antártica teve uma “redução massiva”.

Desde o início de junho deste ano, o gelo marinho da Antártica “atingiu a menor extensão” e, agora, está 17% abaixo da média — marca negativa que quebrou o recorde anterior, segundo a OMM.

“Essa é uma queda realmente dramática na extensão do gelo marinho na Antártida”, disse o chefe de monitoramento climático da OMM, Omar Baddour.

Os dados indicam que, em comparação com a média a longo prazo, a área perdeu cerca de 2,6 milhões de km² de gelo no mar antártico. E, quase 1,2 milhão de km² em relação com o recorde negativo de 2022.

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Em Geneva, o chefe do Programa Mundial de Pesquisas Climáticas, Michael Sparrow disse que a situação da Antártida é surpreendente, além de “uma queda enorme”.

“Estamos acostumados a ver essas grandes reduções no gelo marinho no Ártico, mas não na Antártida. É uma queda enorme”, disse Sparrow durante coletiva.

Dias atrás, a entidade de observação climática da União Europeia, a Copernicus, divulgou os rastros das altas temperaturas no Ártico. Fotos capturadas por satélite mostram que uma ilha de neve na Groenlândia derreteu em apenas quatro dias.

Reprodução/Copernicus - Sentinel 2, União Europeia
Nares Land, Groenlândia, perde parte significativa de camada de gelo

Junho também alcançou uma marca climática preocupante: o mês mais quente da história. De acordo com informações de um relatório do Serviço de Mudanças Climáticas da UE, junho ficou acima de 0,5°C da média de 1991-2020, quebrando o recorde anterior do mês em 2019.

O planeta também registrou uma série de temperaturas sem precedentes na superfície do mar.

“As temperaturas no Atlântico Norte são inéditas e preocupantes. Eles são muito mais altos do que qualquer coisa que os modelos previram”, declarou. “Isto terá um efeito negativo nos ecossistemas e nas pescas e no nosso clima”, afirmou Sparrow.

Para o diretor de serviços climáticos da OMM, Christopher Hewitt, o planeta pode esperar a quebra de mais recordes negativos com a chegada do El Niño.

“Estamos em território desconhecido e podemos esperar que mais recordes caiam à medida que o El Niño se desenvolve e esses impactos se estenderão até 2024”, disse ele. “Esta é uma notícia preocupante para o planeta”, reforçou Hewitt.

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