Troca de farpas entre Trump e Irã ameaça ainda mais cessar-fogo frágil

Provocações entre autoridades do Irã e Donald Trump, ameaças militares e impasse sobre Ormuz elevam tensão entre Washington e Teerã

atualizado

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Donald Trump e a bandeira do Irã
1 de 1 Donald Trump e a bandeira do Irã - Foto: Arte Carla Sena/Metrópoles sobre fotos Getty Images

Estados Unidos e Irã entram em nova rota de colisão, desta vez, de maneira retórica. Nos últimos dias, a escalada de provocações públicas entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e autoridades iranianas aprofundou a crise diplomática e colocou sob ameaça o já frágil cessar-fogo firmado entre os dois países no mês passado.

Enquanto negociações indiretas seguem em andamento sob a mediação do Paquistão, Washington e Teerã voltaram a trocar farpas, ameaças militares e críticas públicas após novos confrontos próximos ao principal tópico sensível do conflito, o Estreito de Ormuz.

Durante o fim de semana, Trump já havia iniciado a nova retórica ao publicar nas redes sociais imagens geradas por inteligência artificial ironizando o Irã. Uma das postagens mostra navios afundados com a legenda “Marinha iraniana”.

Em outra, drones são abatidos por uma embarcação norte-americana acompanhados da frase “tchau, tchau, drones”.

As publicações vieram pouco antes de o republicano afirmar que a nova proposta iraniana para encerrar o conflito era “totalmente inaceitável”.

Já nessa segunda-feira (11/5), o presidente norte-americano voltou a afirmar que o cessar-fogo está “por um fio” e atravessa seu momento “mais crítico”.

“É incrivelmente fraco. Eu o chamaria de o mais fraco no momento. Depois de ler aquele lixo que eles nos enviaram [proposta do Irã para encerrar a guerra], eu nem terminei de ler. Eu diria que o cessar-fogo está em estado crítico”, disse o republicano.

Trump também chamou integrantes da liderança iraniana de “lunáticos” e afirmou que Teerã muda de posição constantemente durante as negociações.

Resposta iraniana

As falas de Trump provocaram reação imediata do governo iraniano e de setores ligados à Guarda Revolucionária.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que Teerã está preparado para responder militarmente caso novas ofensivas ocorram.

“Nossas forças armadas estão prontas para dar uma resposta à altura de qualquer agressão. Estamos preparados para todas as possibilidades; eles serão surpreendidos”, declarou.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, classificou as exigências americanas como “excessivas” e afirmou que a proposta enviada por Teerã era “responsável” e “generosa”.

Segundo autoridades iranianas, o documento entregue aos mediadores paquistaneses prevê:

  • O fim da guerra em todas as frentes;
  • A interrupção das ofensivas israelenses no Líbano;
  • A retirada de sanções americanas;
  • O desbloqueio de ativos iranianos congelados;
  • E o fim do bloqueio naval imposto pelos EUA contra embarcações ligadas ao Irã.

O plano também exige garantias de não agressão futura contra o território iraniano.

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Presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf
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Reprodução/Redes Sociais

Ormuz como centro da crise

  • O principal ponto de tensão continua sendo o Estreito de Ormuz, principal via marítima localizada entre o Irã e Omã, por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial.
  • Nas últimas semanas, ataques militares, bloqueios navais e ameaças envolvendo navios comerciais foram registrados na região, provocando disparada nos preços internacionais do petróleo e preocupação global com a segurança energética.
  • O Irã mantém restrições ao tráfego marítimo no estreito e exige reconhecimento de sua soberania sobre a área como parte das negociações.
  • Já os EUA pressionam Teerã a suspender o bloqueio e aceitar termos relacionados ao programa nuclear iraniano, incluindo limitações ao enriquecimento de urânio.
  • Segundo a imprensa norte-americana, Washington quer uma moratória prolongada do enriquecimento nuclear iraniano e a retirada de estoques de urânio altamente enriquecido do país — condição rejeitada por Teerã.

Guerra segue sem solução

O conflito envolvendo EUA, Israel e Irã começou em fevereiro deste ano, após ataques coordenados contra instalações estratégicas iranianas.

Em abril, os dois lados concordaram com um cessar-fogo temporário mediado pelo Paquistão, mas episódios de violência continuaram sendo registrados.

Apesar da trégua formal, ataques próximos ao Golfo Pérsico, confrontos indiretos envolvendo grupos aliados do Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz mantiveram o cenário de instabilidade.

Imagem colorida, estreito de ormuz
Estreito de Ormuz, canal marítimo por onde passa 20% do petróleo mundial

O impasse também ganhou dimensão internacional. A Organização Marítima Internacional estima que cerca de 1.500 navios-tanque e 20 mil marinheiros estejam retidos na região devido à crise.

Enquanto isso, potências europeias discutem a criação de uma força-tarefa internacional para garantir a navegação no estreito após um eventual acordo de paz.

Pressão interna aumenta no Irã

Além da pressão militar e diplomática, o Irã enfrenta dificuldades econômicas crescentes em meio ao conflito prolongado. Autoridades iranianas determinaram cortes obrigatórios no consumo de energia em escritórios públicos e privados, enquanto entidades médicas alertam para queda nas reservas de medicamentos.

Veículos da imprensa iraniana também relatam aumento da inflação, perda do poder de compra e preocupação popular com o abastecimento de produtos essenciais.

Nos bastidores, as expectativas indicam que avanços significativos nas negociações dificilmente ocorrerão antes do encontro previsto entre Trump e o presidente da China, Xi Jinping, ainda nesta semana.

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