“Falsos patriotas promovem ações contra o Brasil”, diz Lula na ONU
Presidente Lula discursou em abertura da Assembleia Geral da ONU e defendou soberania nacional
atualizado
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Nova York e Brasília — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou, nesta terça-feira (23/9), “falsos patriotas” de uma “extrema-direita subserviente” de estarem arquitetando e promovendo publicamente ações contra o Brasil, numa referência às articulações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do influencer Paulo Figueiredo nos Estados Unidos.
Lula discursou na abertura da 80ª Assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU).
“A agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável. Essa ingerência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema-direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias. Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil. Não há pacificação com impunidade”, afirmou Lula.
Figueiredo e Eduardo são personagens centrais das articulações junto ao governo norte-americano para sancionar autoridades brasileiras.
Assista o discurso:
O chefe do Planalto reforçou a defesa da soberania do Brasil e criticou “sanções arbitrárias”, em referência direta ao governo de Donald Trump.
“Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu recado a todos os candidatos autocratas e aqueles que os apoiam: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis. Seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela. Democracias sólidas vão além do ritual eleitoral”, discursou o presidente.
Lula também usou o discurso para reforçar suas críticas à ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza. “Nada justifica o genocídio em Gaza”.
O evento começou às 10h com um discurso do secretário-geral da ONU, António Guterres, com uma defesa do multilateralismo e da própria entidade. Ele também falou sobre a importância da paz no mundo: “Primeira obrigação”.
A solenidade ocorre um dia após o governo dos Estados Unidos (EUA) anunciar nova rodada de sanções a autoridades brasileiras, na esteira da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na manhã de segunda, o governo dos EUA incluiu Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na lista de sancionados pela Lei Magnitsky. Também suspendeu o visto do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, e de outras autoridades brasileiras.
Trata-se da primeira visita do petista aos Estados Unidos desde o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump. Lula e o republicano ficaram frente a frente durante a abertura do evento.
Lula na ONU
- O titular do Executivo chegou a Nova York no domingo e cumpre agenda no país até quarta-feira (24/9).
- Durante a passagem, o petista participará de reuniões de alto nível sobre democracia e combate ao extremismo; meio ambiente; resolução do conflito na Faixa de Gaza; entre outros.
- A primeira-dama, Janja Lula da Silva, está nos EUA desde a última quarta-feira. Ela viajou como enviada especial para a COP30, e acompanhará Lula em algumas agendas.
- Os dias que antecederam a viagem do presidente foram marcados pela incerteza sobre a presença de algumas autoridades na comitiva.
- O ministro Alexandre Padilha, da Saúde, só recebeu o visto na quinta-feira e, ainda assim, sob restrições de circulação na cidade.
- Além disso, na véspera do discurso de Lula, o governo norte-americano anunciou novas sanções contra brasileiros, que inclui a esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes.












