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Ex-ministro de Defesa da Ucrânia pede eleições durante guerra

Destituído do cargo, Fedorov acusa governo de crise de governança e corrupção e diz que democracia não pode ficar “refém da Rússia”

19/08/2026 17:32
Divulgação/Redes Sociais
Ex-ministro de Defesa da Ucrânia pede eleições durante guerra

O ex-ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, pediu, nessa terça-feira (18/8), a realização de eleições presidenciais no país, mesmo com a guerra contra a Rússia em andamento. A declaração representa um dos mais contundentes desafios políticos internos ao presidente Volodymyr Zelensky desde o início da invasão russa em 2022.

Em um vídeo publicado no YouTube, Fedorov afirmou que a Ucrânia atravessa uma “crise sistêmica de governança” e defendeu a criação de um mecanismo que permita retomar o processo democrático de forma legal e segura, mesmo durante um conflito prolongado.

“A democracia não pode ser mantida como refém da Rússia. Precisamos encontrar um mecanismo legal, seguro e realista que permita à Ucrânia renovar plenamente seu processo democrático mesmo nas condições de uma guerra prolongada”, afirmou.

A declaração é especialmente significativa porque, desde o início da invasão em larga escala, em fevereiro de 2022, nenhuma figura política ucraniana de grande projeção havia defendido publicamente a realização de eleições presidenciais durante a guerra.

Inclusive, a legislação ucraniana impede a realização de eleições nacionais enquanto estiver em vigor a lei marcial.

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A lei marcial foi decretada por Zelensky em 24 de fevereiro de 2022, após o início da ofensiva russa, e permanece em vigor. A Constituição estabelece que o presidente é eleito para um mandato de cinco anos, mas a legislação prevê a continuidade das instituições durante períodos de lei marcial. 


Retórica coincide com argumento usado pelo Kremlin


Desafio direto a Zelensky

As circunstâncias em que ocorre o pronunciamento tornam a situação ainda mais delicada. Aos 35 anos, Fedorov era considerado um dos principais aliados de Zelensky. Ele deixou o governo em julho, apenas seis meses depois de assumir o Ministério da Defesa, após uma passagem marcada pela promessa de promover reformas na estrutura da pasta.

Sua saída ocorreu em meio a divergências com a cúpula militar, especialmente com o então comandante das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi.

As críticas de Fedorov à condução da guerra e à estrutura de comando contribuíram para uma onda de protestos em cidades ucranianas, nos quais manifestantes chegaram a pedir a saída de Syrskyi e o retorno do ministro ao cargo.

Agora, fora do governo, Fedorov voltou a criticar o funcionamento do Estado. Sem citar autoridades específicas, acusou o sistema político de resistir a mudanças e afirmou que a corrupção entre agentes públicos prejudica diretamente o esforço de guerra.

“O velho sistema muitas vezes vive por suas próprias regras. Ele protege a si mesmo. Tem medo da mudança”, declarou.

Segundo Fedorov, as mudanças que tentou implementar nos processos de compras do Ministério da Defesa teriam contribuído para sua saída do governo.

Agora, Zelensky pode estar enfrentando o maior desafio político doméstico desde o começo da guerra.

O pronunciamento ocorreu poucas horas depois de Zelensky confirmar a indicação de Yevhenii Khmara para assumir formalmente o Ministério da Defesa, encerrando as especulações sobre um eventual retorno de Fedorov à pasta. 

O apelo de Fedorov esbarra, porém, em obstáculos legais e práticos. A realização de eleições nacionais durante a vigência da lei marcial é proibida pela legislação ucraniana. O próprio Zelensky já afirmou que eleições poderão ocorrer quando houver condições de segurança e um cessar-fogo.

Ex-ministro de Defesa da Ucrânia pede eleições durante guerra