EUA sanciona e revoga visto de três funcionários do governo do Chile
Motivação foi um acordo do país com a China para a construção de um cabo de fibra ótica que ligaria os dois países através do mar
atualizado
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O governo dos Estados Unidos sancionou e revogou o visto de três funcionários do governo chileno, incluindo o ministro do Transporte e das Telecomunicações, Juan Carlos Muñoz. Familiares dos funcionários também foram ameaçados com sanções.
Em comunicado divulgado pelo Departamento de Estado dos EUA, a pasta afirma que os três funcionários estavam relacionados com atividades que “comprometeram infraestruturas críticas de telecomunicações e prejudicaram a segurança regional no nosso hemisfério”.
“Essas pessoas e seus familiares diretos não serão elegíveis para entrar nos Estados Unidos, e quaisquer vistos americanos que possuírem foram revogados”, informa o comunicado sem dizer quem são os funcionários.
O Metrópoles apurou com membros do governo chileno, contudo, que os alvos da decisão são membros do Ministério do Transporte e das Telecomunicações, incluindo o próprio ministro da pasta, Juan Carlos Muñoz.
Muñoz chegou a dizer em entrevistas que considerou a sanção “excessiva”, “dolorosa” e “lamentável”, especialmente devido aos seus laços e histórico com os Estados Unidos, onde ele já morou. O ministro tem ainda uma filha que vive nos EUA e revelou preocupação com a situação da jovem, que cursa graduação no país.
Acordo com a China
A motivação para as sanções seria um acordo negociado com a China para a construção de um cabo submarino de fibra ótica que conectaria os dois países. O chamado Chile-China Express é um projeto de uma empresa chinesa e causou preocupação ao governo dos Estados Unidos.
“Nos últimos dois meses, realizei inúmeras reuniões com ministros e autoridades governamentais sobre este assunto. Fui muito claro e franco sobre nossa preocupação com as ameaças não apenas à segurança chilena, mas à segurança de toda a região”, declarou o embaixador dos Estados Unidos no Chile, Brandon Judd, em uma coletiva de imprensa após anúncio das sanções.
O governo do Chile condenou o que chamou de decisão unilateral dos Estados Unidos, tomada sem aviso oficial prévio e informada através das redes sociais.
“O Governo do Chile rejeita essas acusações e nega categoricamente qualquer participação em atividades que prejudiquem a segurança do continente ou de terceiros países. Da mesma forma, condena a imposição de qualquer medida unilateral que viole a independência do nosso país ou que tente enfraquecer o nosso legítimo direito de exercer a nossa soberania nacional”, diz o comunicado do governo do país.
A medida jogou um balde de água fria nas últimas semanas do governo de Gabriel Boric, que deixa a presidência do país no próximo dia 11 de março.
