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Depois de horas de um impasse diplomático entre países europeus, a Espanha anunciou nesta segunda-feira (11/6) que receberá o barco Aquarius com 629 migrantes, atualmente parado em águas do Mediterrâneo. No domingo, Itália e Malta se negaram a acolhê-lo.

O governo espanhol do socialista Pedro Sánchez afirmou que a decisão pretende evitar uma catástrofe. “É nossa obrigação ajudar a evitar uma catástrofe humanitária e oferecer um porto seguro para essas pessoas”, diz o comunicado do governo. Segundo a nota, o porto escolhido para a recepção do barco é o de Valência, no leste do país.

O Aquarius, fretado pela ONG SOS Méditerranée, resgatou no sábado 629 migrantes, entre eles sete mulheres grávidas, 11 crianças pequenas e 123 menores de idade sem responsáveis, mas a embarcação está em “stand-by” no mar, perto da Itália e de Malta, que se negaram a dar acesso a qualquer porto.

Em um comunicado, a agência da ONU para os refugiados chegou a fazer um apelo aos governos envolvidos para permitir o desembarque e acrescentou que as pessoas na embarcação estavam ficando sem mantimentos.

Malta reiterou no domingo (10/6) sua recusa a recepcionar o barco, apesar do pedido da Itália, que também se mostrou decidida a não permitir a entrada em nenhum de seus portos.

O ministro do Interior italiano e chefe do partido de extrema direita A Liga, Matteo Salvini, confirmou nesta segunda, no Twitter, que não voltaria atrás. “Salvar vidas é um dever, transformar a Itália em um campo de refugiados, não. A Itália deixou de abaixar a cabeça e obedecer, desta vez TEM ALGUÉM QUE DIZ NÃO”, tuitou com a hashtag #chiudiamoiporti, que em português significa “fechamos os portos”.

Dessa maneira, o país coloca em prática a política de “tolerância zero” com a questão de imigração, uma das promessas do governo populista eleito em março.

Vincent Cochetel, enviado especial da agência da ONU para o Mediterrâneo central disse em um comunicado que “as pessoas a bordo estavam angustiada, faltavam provisões e eles precisavam de ajuda rapidamente”.

Salvini também reagiu à chegada pela manhã, em frente ao litoral da Líbia, de outro barco fretado por uma ONG alemã, a Sea Watch. “Associação alemã, barco holandês, Malta que não se move, França que rejeita e Europa que faz a mesma coisa, chega”, disse Salvini na mesma rede social.

Impasse interno
Vários portos italianos, no entanto, expressaram sua disposição de acolher o “Aquarius”. “Se um ministro sem coração deixa morrer no mar mulheres grávidas, crianças, idosos, seres humanos, o porto de Nápoles está pronto para recebê-los”, afirmou, no Twitter, o prefeito da cidade do sul da Itália, Luigi de Magistris.

O chefe do governo italiano, Giuseppe Conte, anunciou que foram enviados dois barcos de patrulha com medicamentos e prontos a atender às necessidades das pessoas à bordo.

É a primeira vez desde a chegada ao poder da coalizão entre A Liga e o Movimento Cinco Estrelas (M5S, antissistema) que a Itália bloqueia seus portos. Salvini fez campanha antes das legislativas prometendo o fechamento das fronteiras aos migrantes. Para frear o número de deslocados externos na Itália, ele e a Liga pregam uma equação que une a deportação de dezenas de milhares de pessoas sem documentos à redução drástica dos desembarques de navios que operam no Mediterrâneo.

A Itália, que 2013 viu desembarcar em seu litoral cerca de 700 mil migrantes, sente que durante a crise migratória a deixaram sozinha na condução da situação sem qualquer alguma ajuda de seus sócios da União Europeia.

 

 

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