Espanha rebate governo local e ordena recebimento de navio com casos de hantavírus
O governo das Ilhas Canárias afirmou que não vai autorizar a ancoragem do navio MV Hondius
atualizado
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O governo da Espanha ordenou que as Ilhas Canárias recebam o navio MV Hondius, nas primeiras horas deste domingo (10/5), mesmo com a resistência do governo local. As informações foram divulgadas pelo jornal espanhol El País. O documento que obriga o recebimento foi emitido pela Direção-Geral da Marinha Mercante, órgão espanhol que regula a navegação marítima.
O navio registra 8 casos notificados de hantavírus, com três mortes. A imprensa espanhola afirma que a Unidade Militar de Emergências do país vai ficar responsável pelo transporte dos passageiros do navio ao aeroporto de Tenerife-Sul. Os ministérios da Saúde e do Interior acionaram os militares depois da recusa das empresas locais em fazer o translado.
Mais cedo, o governo das Ilhas Canárias declarou que não vai autorizar a ancoragem do navio MV Hondius, afetado por um surto de hantavírus. A decisão, divulgada na noite deste sábado (9/5), foi tomada poucas horas antes do horário previsto para o início da operação.
O motivo para o navio não poder entrar no porto local, segundo o presidente o governo das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, é a falta de informações sobre a segurança dos procedimentos que seriam adotados.
“Colaboração, sim. Solidariedade, também. Mas não a qualquer preço. Não sem relatórios, não com imposições do Estado e não colocando em perigo a segurança sanitária do povo das Ilhas Canárias”, escreveu no X.
A ministra da Saúde do governo espanhol, Mónica García, está em Tenerife, onde o navio deve ancorar, para acompanhar toda a operação e garantir a segurança do processo.
Entenda o desembarque
- A embarcação deve chegar ao Porto de Grandilla, na ilha de Tenerife, na Espanha, entre 4h e 6h deste domingo (10/5), no horário local (0h a 2h, no horário de Brasília).
- As informações foram confirmadas pelo ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, e pela ministra da Saúde espanhola, Mónica García.
- De acordo com o governo espanhol, os cidadãos da Espanha serão os primeiros a desembarcar.
- A saída dos demais passageiros dependerá da liberação das autoridades de saúde e da chegada das aeronaves enviadas pelos países de origem.
Visita do diretor geral da ONU
Antes da decisão do governo local, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou, neste sábado, a Tenerife, maior ilha do arquipélago, para acompanhar a operação de desembarque do cruzeiro. Em carta aberta aos habitantes, Tedros validou a preocupação da população.
“Sei que vocês estão preocupados. Sei que, quando ouvem a palavra ‘surto’ ou ‘epidemia’ e veem um navio se aproximar de suas costas, vêm à tona lembranças que nenhum de nós conseguiu superar completamente. A dor de 2020 continua real, e eu não a minimizo nem por um momento”, escreveu.
Apesar disso, o diretor-geral da OMS reforçou que os riscos representados pela chegada do cruzeiro são “baixos”.
“Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo”, completou. Três pessoas perderam a vida, e nossos corações estão com suas famílias. O risco para vocês, em sua vida cotidiana em Tenerife, é baixo.”
