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Mundo

Espanha envia tropas a Ceuta após entrada massiva de 49 mil migrantes

Imagens divulgadas por agências de notícias e emissoras de TV capturaram um fluxo ininterrupto de pessoas chegando à costa espanhola

31/07/2026 07:12, atualizado 31/07/2026 07:55
Reprodução/X
Espanha envia tropas a Ceuta após entrada massiva de 49 mil migrantes

Em resposta a uma crise migratória sem precedentes, o governo da Espanha anunciou nesta sexta-feira (31/7) o envio de forças militares a Ceuta, no norte da África, para restaurar a ordem na fronteira com o Marrocos.

A medida drástica ocorre após uma onda avassaladora de migrantes cruzar o limite territorial nos últimos dias. Estimativas do Ministério do Interior espanhol indicam que mais de 49 mil pessoas entraram no território a pé ou a nado, resultando na morte trágica de ao menos 27 pessoas durante a travessia marítima.

Em meio à crise, o presidente espanhol Pedro Sánchez viajará nesta sexta a Ceuta, segundo informou a agência de notícias EFE. O Ministério do Interior da Espanha afirmou que o governo marroquino está “cooperando estreitamente” para lidar com a situação e que a polícia marroquina está impedindo que “numerosas pessoas” tentem atravessar a fronteira.

A maioria dos migrantes partiu da cidade marroquina de Fnideq, situada a cerca de cinco quilômetros de distância, utilizando boias, contornando quebra-mares ou escalando as cercas que dividem os dois países.

Imagens divulgadas por agências de notícias e emissoras de TV capturaram um fluxo ininterrupto de pessoas chegando à costa espanhola. Embora a maior parte do grupo fosse composta por jovens do sexo masculino, também foi registrada a presença de famílias acompanhadas de mulheres e crianças pequenas.

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A infraestrutura local do pequeno território de 18,5 quilômetros quadrados e 85 mil habitantes colapsou diante do volume de chegadas. Representantes das forças de segurança locais relataram um cenário de caos absoluto, no qual os agentes da Guarda Civil e da polícia não conseguiram conter a multidão, limitando-se, em muitos pontos, a apenas monitorar a entrada dos migrantes para evitar novas tragédias na água.

“Colapsou totalmente”

Lideranças civis e de direitos humanos descreveram a situação na fronteira de Tarajal como extraordinária. De acordo com Rachid Sbihi, representante da associação de guardas civis em Ceuta, a linha de controle “colapsou totalmente”.

Do lado marroquino, ativistas confirmaram que o posto fronteiriço foi cruzado sob circunstâncias completamente atípicas, impulsionado por um aumento gradativo no fluxo que já vinha sendo observado por equipes de resgate nos dias anteriores.

O impacto urbano na cidade autônoma é imediato e severo. Juan Vivas, prefeito-presidente de Ceuta, fez um apelo público ao declarar que o município não tem capacidade de enfrentar tamanha pressão sozinho.

Sem espaço nos centros de acolhimento, centenas de recém-chegados estão dormindo nas ruas. Vivas destacou que o volume de migrantes recebidos em um curto espaço de tempo ultrapassa qualquer limite operacional da administração local.

A dimensão do evento atual supera com folga os registros históricos da região. Antes da escalada desta quinta-feira, dados oficiais do governo espanhol apontavam a entrada de quase 3 mil migrantes até o meio do mês de julho.

No entanto, a estimativa atual de 49 mil pessoas deixa para trás o recorde da crise de maio de 2021, quando a chegada de 10 mil migrantes em dois dias já havia mobilizado a diplomacia europeia.

Com informações do portal DW.