Entenda o que é e como o embargo americano interfere em Cuba

Com a arrancada diplomática, é proibido, por exemplo, empresas exportarem para os EUA qualquer produto que contenha alguma matéria cubana

Agência LusaAgência Lusa

atualizado 07/11/2019 15:58

Era 7 de fevereiro de 1962 quando o presidente americano John Kennedy (1961-1963) decretou o bloqueio unilateral contra Cuba. Na prática, os Estados Unidos baniram vínculos comerciais com a ilha caribenha, além de proibir linhas de crédito e vários outros tipos de intercâmbio.

Esse é considerado o mais drástico e duradouro bloqueio econômico da história moderna. A aproximação de Cuba com a extinta União Soviética, levou a Casa Branca a aplicar as sanções dentro do contexto da Guerra Fria entre o mundo capitalista, liderado pelos norte-americanos, e o comunista, que tinha na extinta União Soviética o seu guia.

Nesta quinta-feira (07/11/2019), pela primeira vez em 27 anos, Brasil votou contra a resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) que pede o fim do embargo dos Estados Unidos a Cuba. Para se ter dimensão da punição, americanos não podem visitar o país caribenho e cubanos não conseguem visto de turistas nos EUA.

O afastamento entre os países começou meses antes, em janeiro de 1961, quando Washington rompeu relações diplomáticas com Havana. Quatro meses depois, grupos oposicionistas, com apoio da CIA, foram derrotados durante invasão de baía de porcos, no litoral cubano, em operação militar destinada a derrubar o governo de Fidel Castro.

Com a arrancada diplomática, é proibido, por exemplo, a empresas exportarem para os Estados Unidos qualquer produto que contenha alguma matéria-prima cubana.

Da mesma forma, é vedada a venda a Cuba de bens ou serviços nos quais seja utilizada tecnologia estadunidense ou que precisem, na sua fabricação, produtos dessa procedência que excedam 10% do seu valor, ainda quando os seus proprietários sejam nacionais de outros países.

Os bancos não podem abrir contas em dólares norte-americanos a pessoas individuais ou jurídicas cubanas, ou que realizem qualquer transação financeira com entidades ou pessoas cubanas. Isso bloqueia totalmente Cuba de utilizar o dólar em suas transações de comércio exterior.

As sanções limitam fortemente o comércio internacional de Cuba com o resto do mundo. tTuristas estadunidenses que consumam um cigarro ou um copo de rum cubano durante uma viagem ao exterior, na França, no Brasil ou no Japão, por exemplo, se arrisca a pagar multa e a até ser condenado.

Segundo relatório anual da ONU, realizado em 2005, o bloqueio causou, desde o seu início, um prejuízo superior a 89 bilhões de dólares para o país caribenho.

Nesta quinta-feira, 57 anos depois do início do embargo, o embaixador do Brasil na ONU, Mauro Vieira, foi instruído a votar pela manutenção do embargo pelo chanceler Ernesto Araújo, chefe do Ministério das Relações Exteriores.

Desde 1992, todos os presidente brasileiros votaram a favor da resolução. Além de Collor, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Roussef e Michel Temer tiveram posições diferentes desta adotada por Bolsonaro.

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