Entenda o que aconteceu com a Rússia após 3 anos sob sanções

Apesar da resiliência econômica e militar, a Rússia enfrenta isolamento tecnológico e inflação alta em meio à guerra com a Ucrânia

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A guerra entre Rússia e Ucrânia já dura três anos. Desde o início da invasão em larga escala ao território ucraniano, Moscou sofre pesadas sanções econômicas e políticas que remodelaram sua posição no mundo. Apesar da pressão que vem sobretudo dos Estados Unidos e da Europa, porém, o país liderado por Vladimir Putin mantém-se funcional.

Entretanto, por trás da aparência de estabilidade, surgem fissuras que expõem os limites da resistência russa.

Desde 2022, mais de 17 pacotes de sanções foram aprovados pela União Europeia e seus aliados, atingindo setores estratégicos como energia, finanças, transporte e defesa. O objetivo: sufocar a capacidade de Moscou de financiar a guerra.

Ao Metrópoles, o advogado internacionalista Julian Dias Rodrigues explica que as sanções conseguiram ao menos reduzir a capacidade militar russa.

Na visão do advogado, o aparente equilíbrio da economia é sustentado por três pilares: militarização do orçamento, controle artificial do rublo — moeda russa — e reorientação do comércio exterior para mercados menos exigentes. Em troca de apoio, Moscou vende energia com desconto e aderiu ao yuan, a moeda chinesa, que domina mais de 35% das transações financeiras russas.

“A Rússia substituiu a dependência ocidental por uma relação desequilibrada com a China”, diz o especialista.

Além disso, o país enfrenta inflação elevada (acima de 9%), juros acima de 20% e uma indústria fragilizada. “Setores como energia, agricultura, defesa e manufatura foram afetados. Esse cenário de inflação global também está presente no país”, analisa o professor de direito Gustavo Menon.

Resposta multifacetada por parte da Rússia

A resposta russa tem sido multifacetada.

O governo ampliou estoques estratégicos de insumos, estimulou a produção nacional e buscou reforçar parcerias no âmbito dos Brics, grupo que inclui países como Brasil, Índia, China e África do Sul.

Essas medidas conseguiram, até agora, evitar uma crise sistêmica. Porém, o crescimento econômico está abaixo do potencial pré-guerra, com projeções de estagnação até pelo menos 2027.


Atualizações da guerra

  • A Rússia tem ampliado sua presença militar no leste da Ucrânia. O avanço é sustentado por brigadas móveis e uso tático de guerra eletrônica — o constante uso de drones.
  • A guerra tem se tornado cada vez mais tecnológica. A Rússia tem utilizado motocicletas e drones em táticas móveis, enquanto a Ucrânia aposta em ataques de longo alcance com veículos aéreos não tripulados. Em junho, a operação Teia de Aranha destruiu aviões militares russos em solo.
  • O governo Trump suspendeu temporariamente o envio de sistemas de defesa para os ucranianos. A justificativa foi proteger os estoques norte-americanos.
  • Trump conversou com Putin na última quinta-feira (3/7)  e, no dia seguinte, falou por telefone com Volodymyr Zelensky. O norte-americano declarou estar “decepcionado” com a posição do líder russo, que rejeitou pedidos por cessar-fogo.

O relógio das sanções anti-Rússia

A linha do tempo das sanções da União Europeia revela o aumento gradual da pressão sobre Moscou.

Desde a anexação da Crimeia, em 2014, as restrições se intensificaram em diversas frentes: congelamento de ativos, proibição de entrada de autoridades russas na UE, embargo de armas, proibição de exportação de tecnologias e sanções específicas por violações de direitos humanos.

Só o Banco Central da Rússia teve cerca de € 300 bilhões em ativos congelados, e mais de 1.700 indivíduos foram sancionados no Reino Unido.

Apesar das tentativas russas de driblar as sanções, os efeitos colaterais ainda são visíveis. O PIB russo está entre 10% e 12% abaixo do que estaria em um cenário sem guerra. A renda disponível da população caiu até 25%, e o número de falências aumentou.

No setor bancário, mais de 70% das instituições estão sob algum tipo de sanção internacional.

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Apesar de estar na mira do Tribunal de Haia, Putin viajou para a Mongólia. O país, por reconhecer as decisões da Corte, deveria cumprir o mandado de prisão contra o presidente da Rússia.
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O presidente russo, Vladimir Putin, fala durante sua coletiva de imprensa após as negociações russo-vietnamitas, 20 de junho de 2024, em Moscou, Rússia. Vladimir Putin está em visita de dois dias ao Vietnã
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O presidente da Rússia, Vladimir Putin
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Apesar de estar na mira do Tribunal de Haia, Putin viajou para a Mongólia. O país, por reconhecer as decisões da Corte, deveria cumprir o mandado de prisão contra o presidente da Rússia.
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Apesar de estar na mira do Tribunal de Haia, Putin viajou para a Mongólia. O país, por reconhecer as decisões da Corte, deveria cumprir o mandado de prisão contra o presidente da Rússia.

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O presidente russo, Vladimir Putin, fala durante sua coletiva de imprensa após as negociações russo-vietnamitas, 20 de junho de 2024, em Moscou, Rússia. Vladimir Putin está em visita de dois dias ao Vietnã

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Vladimir Putin, presidente da Rússia
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Esporte também foi afetado

As medidas também ultrapassaram o campo econômico, alcançando o âmbito esportivo.

No esporte, o país, que também é acusado por um esquema de dopagem de atletas, foi suspenso de competições organizadas por FIFA e UEFA, perdeu o direito de sediar eventos como a final da Liga dos Campeões e o GP de F1 de Sochi, e viu marcas como Adidas encerrarem contratos milionários.

Atletas russos passaram a competir sob bandeiras neutras, afetando tanto a imagem internacional da Rússia quanto a moral esportiva interna.

Quais os próximos passos?

A legalidade do uso de ativos russos congelados ainda gera debate, especialmente no direito internacional. Em 2024, a União Europeia autorizou que os lucros dos € 210 bilhões congelados do Banco Central russo fossem usados para apoiar a Ucrânia.

Para os especialistas, a principal lição é clara: as sanções funcionam, mas não são bala de prata – ou seja, não é algo simples e rápido de se resolver – até porque também machucam a economia dos países que as aplicam.

Sem um consenso global e com falhas na aplicação, o efeito das restrições é limitado.

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