Em livro, vítima de acidente aéreo nos Andes conta que teve que comer os amigos para sobreviver
Roberto Canessa relembrou o episódio em programa da BBC. Avião que seguia de Montevidéu para Santiago caiu em 1972 e deixou 12 pessoas mortas. Resgate demorou dois meses
atualizado
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O uruguaio Roberto Canessa (foto abaixo), sobrevivente do acidente aéreo na Cordilheira dos Andes, no Chile, em 1972 está lançando um livro sobre o ocorrido. I Had to Survive: How a Plane Crash in the Andes Inspired My Calling to Save Lives (“Eu tinha que sobreviver: como um acidente de avião nos Andes inspirou minha vocação para salvar vidas”, em tradução livre) ainda não tem edição no Brasil. O episódio também inspirou o filme Vivos (1993), em que Canessa é interpretado pelo ator Josh Hamilton.
Em depoimento ao programa Victoria Derbyshire, da BBC, o hoje cardiologista relata o ocorrido e como isso o inspirou a seguir a carreira médica. Os 16 sobreviventes, jogadores de rúgbi, tiveram que se alimentar dos corpos dos outros passageiros até que o resgate chegasse, o que demorou dois meses. À época, Canessa tinha 19 anos e caminhou com um colega por 11 dias até encontrar ajuda.
No início, relata, eles sobreviveram com alimentos que encontraram nas bagagens e cosméticos, derreteram gelo para beber e dormiram nos bancos do avião. Tentaram comer o couro dos cintos e sapatos, mas sentiram que os produtos químicos os matariam mais rápido. Quando a comida acabou, os sobreviventes tiveram que tomar uma decisão radical.
“Estávamos morrendo e alguém falou: ‘acho que estou ficando louco, porque estou pensando em comer os corpos’. O capitão do time disse: ‘Você está louco, não nos tornaremos canibais'”, contou Canessa à BBC. A princípio, ele hesitou, mas acabou cedendo. “Pensei se fosse uma das vítimas eu teria orgulho de meu corpo ser usado por meus colegas como um projeto de vida”, completou.
Ao todo, 12 pessoas morreram na queda do avião que seguia de Montevidéu para Santiago, sendo seis nos dias seguintes – quando uma avalanche atingiu os destroços da aeronave – e 11 pela falta de comida e condições críticas. Com informações da BBC Brasil.
