Eleição: Peru prorroga votação após falta de cédulas e denúncias de fraude
Falta de material eleitoral impediu a votação de mais de 63 mil peruanos. Eleição registrou o número recorde de 35 candidatos à presidência
atualizado
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O Conselho Nacional de Eleições do Peru anunciou, na noite deste domingo (12/4), a prorrogação da votação na disputa pela presidência do país. O dia foi marcado por tumultos nas zonas eleitorais, causado por falta de cédulas de votação e denúncias de fraude.
O pleito deste ano reuniu um número recorde de 35 postulantes ao cargo de presidente.
A secretária do órgão eleitoral, Yessica Clavijo, informou que nas seções onde o material eleitoral não chegou, os peruanos poderão votar na segunda-feira (13/4), das 7h às 14h.
Os problemas de cédulas foram registrados na capital Lima e em dois distritos nos Estados Unidos, em Orlando e Paterson.
O chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE, na sigla em espanhol), Piero Corvetto, informou que 63.300 eleitores na capital Lima não conseguiram votar por conta da falta de material eleitoral.
Corvetto culpou a empresa responsável pela distribuição das cédulas. “Em todo o país, das 92.012 seções eleitorais, 99,8% foram instaladas com sucesso; apenas 211 seções não foram instaladas com sucesso”, disse o chefe da ONPE, em coletiva de imprensa.
Cerca de 27 milhões de peruanos estavam aptos à votar. No país, a participação no pleito eleitoral é obrigatória.
Com o adiamento, a expectativa é que as apurações só sejam concluídas a partir de quarta-feira (15/4).
Boca de urna aponta para segundo turno
De acordo com o jornal peruano El Comercio, as pesquisas de boca de urna apontam para um segundo turno, já que os candidatos estão bem distante dos 50% dos votos.
De acordo com a atualização das 20h (no horário de Brasília), a direitista Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, lidera com 16,5%.
Em seguida, aparecem o candidato ultraconservador Rafael Lópes, com 12,8%; o centro-esquerdista Jorge Nieto Montesinos, com 11,6%; o empresário de mídia Ricardo Belmont, com 10,5%; e o deputado de centro-esquerda Roberto Sánchez Palomino, com 10%.
Eleição em período de crise
No momento, o Peru é comandado por José María Balcázar Zelada, do partido Perú Libre, que foi eleito em votação indireta feita pelo Congresso. Ele assumiu a presidência interina do país após a destituição de José Jerí e ocupará o cargo até 28 de julho de 2026.
No último mês de fevereiro, o Congresso do Peru destituiu José Jerí após a aprovação de uma moção de censura em meio a investigações por suposto tráfico de influência e por encontros não divulgados com um empresário chinês.
Jerí estava no cargo havia apenas quatro meses. Ele assumiu a Presidência em outubro, após o Congresso destituir Dina Boluarte em um processo político. A crise política que o país vive teve como resultado oito presidentes nos últimos 10 anos.

