Pressionado por protestos, Macron aumenta salário mínimo na França

Presidente disse que ainda não foi capaz de responder a problemas que afetam a nação dos últimos 40 anos

ERIC FEFERBERG/POOL/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOERIC FEFERBERG/POOL/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

atualizado 10/12/2018 20:46

O presidente da França, Emmanuel Macron (foto em destaque), anunciou nesta segunda-feira (10/12) um aumento de 100 euros no salário mínimo, que atualmente é de 1,2 mil euros, durante seu primeiro pronunciamento aos cidadãos franceses desde o início da série de protestos do movimento dos “coletes amarelos”.

Em declaração exibida na TV, o político disse que durante seu governo ainda não foi capaz de responder a problemas que afetam a nação nos últimos 40 anos. Além disso, fez dura crítica à violência dos protestos, mas reconheceu que é algo justificado.

Macron também admitiu que as manifestações da última semana “perturbaram profundamente a nação”, mas, segundo ele, “a violência não beneficiará de qualquer indulgência”. Em suas primeiras palavras, o presidente francês garantiu o aumento do salário mínimo no país em 100 euros já a partir de janeiro do próximo ano. O montante equivale ao aumento acumulado de 2012 a 2018.

Segundo Macron, aposentados que recebem menos de 2 mil euros por mês não vão precisar pagar uma contribuição social generalizada em 2019. Ele ainda anunciou a isenção de impostos e taxas às empresas sobre as horas extras pagas aos funcionários. “Queremos uma França em que as pessoas possam viver dignamente de seus trabalhos”, afirmou.

Reforma geral
O presidente também prometeu um debate “sem precedentes” para conduzir uma reforma no país. “Um debate sem precedentes acontecerá em nível nacional em nossas instituições, cada uma terá seu papel: governo, Assembleia Nacional, parceiros sociais e associações, vocês terão seu papel”. No entanto, Macron não aceitará retroceder na questão do Imposto sobre a Fortuna, o ISF. “Não haverá declínio. Retroceder nos enfraqueceria”, justificou.

Ele ainda assumiu responsabilidades e disse que há diversos problemas que estão sem respostas. “Quero ser muito claro com vocês: se lutei para derrubar o sistema, é precisamente por querer servir o nosso país e por amá-lo”, indicou.

“A minha legitimidade não a tiro de nenhum título, mas de vocês. Vários outros países atravessam crises como o nosso, mas acredito que podemos encontrar juntos uma saída”, defendeu. Macron, que decretou “estado de emergência social e econômica na França, ressaltou que o primeiro-ministro, Édouard Philippe, apresentará suas propostas aos deputados nesta terça-feira (11).
Há quatro semanas, milhares de franceses protestam pelo país contra o preço dos combustíveis. Os coletes amarelos, itens obrigatórios de segurança nos automóveis da França, viraram símbolo do movimento. As declarações de Macron foram uma resposta aos atos, que resultaram na suspensão por 6 meses do aumento no preço dos combustíveis, como forma de conter as mobilizações.

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