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Entenda o que é a “moeda do Mercosul” discutida por Brasil e Argentina

Ao invés do que se pode imaginar, proposta é de uma moeda comum de intercâmbio comercial e não significaria fim do real e do peso argentino

atualizado

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Fábio Vieira/Metrópoles
O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante encontro com o presidente da Argentina, Alberto Fernández, no Hotel InterContinental, região central de São Paulo. Na foto os dois sorriem para a imprensa na frente de suas cadeiras - Metrópoles
1 de 1 O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante encontro com o presidente da Argentina, Alberto Fernández, no Hotel InterContinental, região central de São Paulo. Na foto os dois sorriem para a imprensa na frente de suas cadeiras - Metrópoles - Foto: Fábio Vieira/Metrópoles

Defendida por Brasil e Argentina, a criação da “moeda do Mercosul” se tornou pauta nesta semana com a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao país vizinho como gesto de reaproximação. A proposta já foi defendida por Paulo Guedes e discutida por Fernando Henrique Cardoso.

O nome confuso induz ao erro dos mais desavisados, pois a proposta é para que exista uma moeda comum de intercâmbio comercial, o que não significaria o fim do Real ou do Peso Argentino. A ideia é inspirada na Unidade Real de Valor (URV), usada durante a transição do cruzeiro real para o real.

Segundo especialistas ouvidos pelo Metrópoles, o conceito é positivo, mas o que atrapalha são os quadros econômicos de cada país, principalmente o da Argentina, que fechou 2022 com inflação de 94,8%. O Brasil, por outro lado, encerrou o ano com a inflação em 5,79%.

“Substituir as moedas por uma outra só do Mercosul é algo difícil de acontecer e se torna prejudicial para o Brasil. A moeda brasileira é uma das mais fortes do bloco, principalmente se comparada à Argentina, que sofre pela dupla concorrência de moeda [peso e dólar] dentro do país”, disse a economista Natalie Verndl, doutoranda em Direito Financeiro na Universidade de São Paulo (USP).

De acordo com ela, a criação de uma moeda que possa substituir as vigentes teria outras implicações. “Para fazer uma moeda única, teria que fazer um Banco Central para o Mercosul. Fazer política monetária para o Brasil é muito diferente de fazer política monetária para a Argentina“, declarou Verndl.

Com uma economia fragilizada e um descontrole monetário interno, o Metrópoles questionou se essa seria uma solução para a dolarização da economia dos hermanos. “A Argentina continuaria sendo refém do dólar, assim como o Brasil, pois o mundo é refém da moeda americana”, disse Fabrício Gonçalvez, CEO da Box Asset Management.

De acordo com Fabrício Gonçalvez, a inflação da Argentina pode atrapalhar, mas o bloco como um todo se beneficiaria da moeda comum. “Quem ganha com essa proposta claramente é o Mercosul, é a América Latina. A inflação na Argentina é o que atrapalha”, declarou.

Além das questões inflacionárias, monetárias e de ajustes econômicos a serem discutidas, Leandro Consentino, cientista político e professor do Insper, afirmou que é necessário olhar para a governança. “A proposta é boa para o comércio internacional, mas há um problema em saber como seria a governança dessa moeda nos países, como seria a condução da política monetária”, explicou.

“Não é uma proposta simples, pois há a questão da soberania dos países e isso será posto na mesa de negociação”, completou.

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