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A tensão exacerbada após a queda de 4,60% da Bolsa de Nova York na segunda-feira (5/2) se dissipou para o mercado local e, embora a promessa de volatilidade esteja no horizonte, sobretudo no exterior, a bolsa brasileira mostrou firme recuperação. O índice à vista encerrou com ganho de 2,48%, aos 83.894,03.

Já o dólar fechou no nível de R$ 3,24, recuo de 0,23%, ajudado também pelo leilão de US$ 475 milhões em contratos de swap cambial feito pelo Banco Central nesta terça-feira (6).

No mercado de juros, enquanto os contratos de curto prazo ficaram travados na espera pela decisão sobre a Selic na quarta (7), as taxas de médio e longo prazo se ajustaram em queda com volume forte.

Lá fora, o pregão foi de volatilidade para os índices em Nova York, que se firmaram em alta na última hora da sessão. O dólar também não mostrou direção única em relação a divisas fortes e os juros dos Treasuries apontavam alta, portanto, sem demanda adicional por proteção ao risco.

De um modo geral, os agentes estrangeiros ainda tentam explicar o movimento brusco da segunda-feira e avaliam por quanto tempo a volatilidade ainda permanecerá. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, classificou os movimentos recentes de “correção”.

Por aqui, os agentes consideraram o movimento interno moderado ante o estresse visto no cenário internacional e acreditam que os fundamentos locais sustentam algum otimismo e atração a ativos domésticos. Encerrada a primeira parte da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, se reúne à noite com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Segundo Ilan, é um encontro semanal para avaliação do cenário. “A rotina de acompanhamento de mercados não mudou em função do que ocorreu em Nova York”, disse.

“Hoje parece que foi o rabo que abanou o cachorro”, disse Pedro Paulo Silveira, economista-chefe Nova Futura CTVM, para quem o mercado acionário aqui está antecipando a posição de fora, que tende a se recuperar. “Nós temos condições de mostrar performance boa porque os fundamentos e perspectivas econômicas são bons.”

De acordo com Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença Corretora, essas expectativas fazem com que o fluxo de investidores estrangeiros siga em direção à Bolsa brasileira. Nesse sentido, Aldo Muniz Filho, analista da Um Investimentos, ressalta que houve compra generalizada em papéis de empresas ligadas ao governo. As ações de estatais, como Petrobras ON e PN fecharam em alta em torno de 5% enquanto o Banco do Brasil ON, 4,39%. Outras blue chips, como Vale ON encerrou em alta de 5,25% e Itaú Unibanco valorizou 3,60%.

Muito embora a maioria dos agentes de mercado não acredite ou diga que nem conta mais com a aprovação da Reforma da Previdência neste mês, a mobilização e as declarações dos parlamentares por esses dias deixam dúvidas sobre se há alguma possibilidade. “O mercado está fazendo essa alta sem considerar a reforma”, disse Silveira. “Mas se vier (a reforma), a Bolsa sobe mais”, complementou um operador de renda variável.

 

 

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