Diretor de hotel pediu ajuda antes de avalanche na Itália

Até o momento, 11 pessoas sobreviveram à tragédia e outras seis morreram. Autoridades estimam que haja 23 pessoas soterradas

atualizado

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1 de 1 avalanche italia hotel - Foto: Reprodução/Twitter

Horas antes de uma avalanche atingir o hotel Rigopiano, em Farindola, na província de Pescara, na Itália, os funcionários do empreendimento enviaram um e-mail “urgente” para o prefeito de Pescara, o presidente da província, o comando da polícia local e o prefeito de Farindola solicitando ajuda para evacuar o local.

O e-mail, revelado nesta segunda-feira (23/1) pela imprensa italiana, mostra que a comunicação assinada pelo diretor Bruno Di Tommaso, dizia que, após os terremotos que atingiram, a situação no local “tornou-se preocupante”. Apesar de ter assinado a comunicação, Di Tommaso não estava no hotel no momento do impacto, mas sim em Pescara.

“No Rigopiano há cerca de 2 metros de neve e na nossa estrutura no momento há 12 quartos ocupados (além dos funcionários). O óleo diesel para alimentar o gerador deve durar até amanhã, data na qual desejamos que o fornecedor possa efetuar a entrega. Os telefones no entanto estão fora de serviço”, escreveu Di Tommaso.

Na comunicação, há ainda a informação de que “os clientes estão aterrorizados com os abalos sísmicos e decidiram ficar em área aberta”. “Tentamos fazer todo o possível para acalmá-los, mas não podendo partir por causa das estradas bloqueadas, eles estão dispostos a passar a noite nos carros”, acrescentou.

O e-mail ainda termina informando que todos estão “conscientes” dos problemas que toda a região estava sofrendo com o excesso de neve e os terremotos, mas pedem uma intervenção rápida.

Até o momento, 11 pessoas sobreviveram à tragédia e outras seis morreram. Estima-se que ainda 23 pessoas — entre hóspedes e funcionários — estejam desaparecidos. Ainda está sendo investigado se o hotel estava funcionando legalmente.

Investigação
Agora, as autoridades apuram os fatos que levaram ao atraso no envio do equipamento para limpar a neve da estrada e apuram possíveis falhas humanas no processo. Um dos pontos investigados é porque o alarme do italiano Giampiero Parete, que sobreviveu à tragédia porque foi a até o carro buscar objetos esquecidos, não foi levado a sério.

Parete telefonou para a polícia de Pescara por volta das 17h08. Após o contato, os policiais entraram em contato com Di Tommaso sobre a possibilidade de uma avalanche, mas o diretor destacou que não tinha essa informação, mas que não falava com sua equipe há algum tempo.

Com isso, a informação do sobrevivente foi considerada mais um trote, como tantos outros recebidos naquele dia. A notificação de Parete só foi levada a sério por volta de duas horas após o incidente, quando equipes de resgate foram enviadas para Rigopiano.

Outro ponto a ser investigado é o atraso no envio do caminhão que limpa neve das estradas. O equipamento deveria ter subido até Farindola por volta das 15h, mas foi postergado para o início da noite. Se tivesse ido no horário combinado, a tragédia teria sido evitada, já que a avalanche ocorreu após às 17h da quarta-feira (18).

Local impróprio
Um mapa da geomorfologia da região de Abruzzo, onde fica a comuna de Farindola, de 1991, em informação presente no mapa do Plano de Estrutura Hidrogeológico do Conselho Regional, de 2007, mostraria que o hotel Rigopiano foi construído sobre “detritos e restos de avalanche”.

Os documentos, apresentados durante o Fórum H20 nesta segunda-feira (23), a área onde foi feita a construção “é elevada e formada pelos próprios detritos que chegavam do cânion próximo ao hotel”. “É como ficar em cima de um cano de arma, que depois de carregado, explodiu”, informa o documento.

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