Erdogan diz que ordem para matar jornalista partiu do governo saudita

Corpo de Khashoggi teria sido dissolvido. Presidente da Turquia não cita príncipe herdeiro, mas cobra revelação dos "fantoches" do crime

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atualizado 03/11/2018 14:15

A ordem para matar jornalista saudita Jamal Khashoggi partiu do mais alto nível do governo saudita de acordo com artigo publicado pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, na sexta-feira (2/11) no jornal norte-americano The Washington Post. Ele defendeu na publicação que a comunidade internacional tem a responsabilidade de “revelar os mestres do fantoche” por trás do assassinato.

De acordo com Erdogan, os laços estreitos entre a Turquia e a Arábia Saudita não significavam que a Turquia poderia fechar os olhos para o assassinato do jornalista. “Sabemos que a ordem de matar Khashoggi veio dos níveis mais altos do governo saudita”, disse Erdogan.

O presidente turco escreveu: “Como membros responsáveis da comunidade internacional, devemos revelar as identidades dos mestres do fantoche por trás do assassinato de Khashoggi e descobrir aqueles em quem as autoridades sauditas -ainda tentando encobrir o assassinato – colocaram sua confiança”.

O procurador-chefe de Istambul anunciou na última quarta-feira que Khashoggi, que viveu no exílio nos Estados Unidos, foi estrangulado imediatamente depois de entrar no consulado, como parte de um assassinato premeditado. Segundo ele, o corpo do jornalista foi desmembrado antes de ser removido do local.

A Turquia está buscando a extradição de 18 suspeitos que foram detidos na Arábia Saudita para que possam ser julgados no país. Eles incluem 15 membros de um suposto “esquadrão de ataque” saudita que a Turquia diz ter sido enviado a Istambul para matar o colunista do The Washington Post que criticava o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman. Alguns dos envolvidos no assassinato seriam membros da comitiva do príncipe herdeiro.

No artigo de opinião, Erdogan não mencionou o príncipe. Mas poucos na Turquia e em outros lugares acreditam que o crime poderia ter sido realizado sem o conhecimento do poderoso herdeiro do reino.

Horror
Na Bulgária, na sexta-feira, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chamou o assassinato de Khashoggi de um ato horrendo que “deveria ser tratado devidamente” de uma forma que a não prejudicar a estabilidade da Arábia Saudita.

Netanyahu disse em uma coletiva de imprensa que o Irã é uma ameaça maior do que a Arábia Saudita e aqueles que querem punir o reino do Oriente Médio precisam ter isso em mente. “Uma maneira deve ser encontrada para atingir ambos os objetivos, porque penso que o problema maior é o Irã”, disse o líder israelense, que participou de uma reunião dos primeiros-ministros da Bulgária, Grécia e Romênia e o presidente da Sérvia.

Na sexta, Yasin Aktay, assessor do presidente da Turquia e amigo de Khashoggi, afirmou que o corpo do jornalista foi desmembrado e dissolvido. “Sabíamos que o corpo de Khashoggi tinha sido desmembrado, mas agora temos evidências de que não só o esquartejaram, mas também o dissolveram”, disse Aktay.

“De acordo com as últimas informações, a razão pela qual ele foi cortado em pedaços foi para poder dissolvê-lo mais facilmente. O objetivo era não deixar vestígios do corpo”, disse Aktay.

O Ministério Público da Turquia confirmou que o corpo do jornalista havia sido esquartejado. “Não há nada razoável que possa explicar isso. Matar uma pessoa inocente é um crime. Tratar o corpo assim é outro crime e uma vergonha, acrescentou Aktay.

“(O corpo) foi procurado em todos os lugares que aparecem no sistema de câmeras de vigilância, mas não foi encontrado. O que há são indícios”, acrescentou o assessor de Erdogan.

 

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