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A ordem para matar jornalista saudita Jamal Khashoggi partiu do mais alto nível do governo saudita de acordo com artigo publicado pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, na sexta-feira (2/11) no jornal norte-americano The Washington Post. Ele defendeu na publicação que a comunidade internacional tem a responsabilidade de “revelar os mestres do fantoche” por trás do assassinato.

De acordo com Erdogan, os laços estreitos entre a Turquia e a Arábia Saudita não significavam que a Turquia poderia fechar os olhos para o assassinato do jornalista. “Sabemos que a ordem de matar Khashoggi veio dos níveis mais altos do governo saudita”, disse Erdogan.

O presidente turco escreveu: “Como membros responsáveis da comunidade internacional, devemos revelar as identidades dos mestres do fantoche por trás do assassinato de Khashoggi e descobrir aqueles em quem as autoridades sauditas -ainda tentando encobrir o assassinato – colocaram sua confiança”.

O procurador-chefe de Istambul anunciou na última quarta-feira que Khashoggi, que viveu no exílio nos Estados Unidos, foi estrangulado imediatamente depois de entrar no consulado, como parte de um assassinato premeditado. Segundo ele, o corpo do jornalista foi desmembrado antes de ser removido do local.

A Turquia está buscando a extradição de 18 suspeitos que foram detidos na Arábia Saudita para que possam ser julgados no país. Eles incluem 15 membros de um suposto “esquadrão de ataque” saudita que a Turquia diz ter sido enviado a Istambul para matar o colunista do The Washington Post que criticava o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman. Alguns dos envolvidos no assassinato seriam membros da comitiva do príncipe herdeiro.

No artigo de opinião, Erdogan não mencionou o príncipe. Mas poucos na Turquia e em outros lugares acreditam que o crime poderia ter sido realizado sem o conhecimento do poderoso herdeiro do reino.

Horror
Na Bulgária, na sexta-feira, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chamou o assassinato de Khashoggi de um ato horrendo que “deveria ser tratado devidamente” de uma forma que a não prejudicar a estabilidade da Arábia Saudita.

Netanyahu disse em uma coletiva de imprensa que o Irã é uma ameaça maior do que a Arábia Saudita e aqueles que querem punir o reino do Oriente Médio precisam ter isso em mente. “Uma maneira deve ser encontrada para atingir ambos os objetivos, porque penso que o problema maior é o Irã”, disse o líder israelense, que participou de uma reunião dos primeiros-ministros da Bulgária, Grécia e Romênia e o presidente da Sérvia.

Na sexta, Yasin Aktay, assessor do presidente da Turquia e amigo de Khashoggi, afirmou que o corpo do jornalista foi desmembrado e dissolvido. “Sabíamos que o corpo de Khashoggi tinha sido desmembrado, mas agora temos evidências de que não só o esquartejaram, mas também o dissolveram”, disse Aktay.

“De acordo com as últimas informações, a razão pela qual ele foi cortado em pedaços foi para poder dissolvê-lo mais facilmente. O objetivo era não deixar vestígios do corpo”, disse Aktay.

O Ministério Público da Turquia confirmou que o corpo do jornalista havia sido esquartejado. “Não há nada razoável que possa explicar isso. Matar uma pessoa inocente é um crime. Tratar o corpo assim é outro crime e uma vergonha, acrescentou Aktay.

“(O corpo) foi procurado em todos os lugares que aparecem no sistema de câmeras de vigilância, mas não foi encontrado. O que há são indícios”, acrescentou o assessor de Erdogan.