Diplomacia brasileira nega crise e fala em "resgate" com a Ucrânia
Ida de Lula à Rússia no início de maio, para as comemorações do Dia da Vitória, provocou desavenças entre Brasília e Kiev

A diplomacia do Brasil na Ucrânia nega qualquer crise com o país liderado por Volodymyr Zelensky, mesmo com recentes declarações inflamadas de Kiev, em relação à viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Rússia.
De acordo com autoridades brasileiras na Ucrânia, ouvidas pelo Metrópoles, sob condição de anonimato, a relação a nível diplomático funciona bem – ao menos pela perspectiva brasileira. O que o Brasil busca, no momento, é o resgate da diplomacia presidencial.
Desde que assumiu seu terceiro mandato, Lula tem enfrentado dificuldades em dialogar com Zelensky, já que o presidente ucraniano enxerga algumas posturas do líder brasileiro como “pró-Rússia”.
Exemplo recente aconteceu no início de abril, quando Kiev recusou por duas vezes uma tentativa de conversa telefônica entre Lula e Zelensky. O principal ponto que travou o diálogo entre os dois presidentes é a participação do líder brasileiro nos eventos do Dia da Vitória, em Moscou. Para o governo da Ucrânia, a ida de Lula à Rússia é visto como mais um gesto de apoio as ações da administração de Vladimir Putin.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Existe uma tentativa de resgate da diplomacia presidencial. Não existe crise diplomática, nossa relação é muito boa”, disse uma fonte ligada à diplomacia brasileira em Kiev. “Nossa relação é muito boa, os contatos são fluídos no nível abaixo, na cooperação com os ministérios. Está tudo funcionando perfeitamente bem”.
Diálogo sem tomar lados
Segundo a diplomacia brasileira na Ucrânia, parte das críticas de Kiev surgem após interpretações erradas da posição do Brasil, e do governo Lula, sobre o conflito.
“A Europa muitas vezes tem outra visão de diplomacia. Uma diplomacia de exclusão, de isolamento, de sanções, e o Brasil não adota essa linha. Mas não adotar essa linha não significa tomar partido, nem para um lado, nem para o outro”, disse um diplomata brasileiro com conhecimento sobre o assunto. “Nós advogamos pelo diálogo, a capacidade de negociação entre as partes, a solução diplomática. Não acreditamos na solução militar, e é dessa forma que nós achamos que podemos melhor ajudar a Ucrânia e Rússia a encontrar a paz”.
“Jogo vergonhoso”
O último ponto de embate entre Brasil e Ucrânia surgiu no início desta semana, após o embaixador ucraniano em Brasília, Andrii Melnyk, convidar Lula para visitar Kiev, antes de ir à Moscou para o Dia da Vitória.
Depois do aceno do diplomata ucraniano, autoridades brasileiras dizem aguardar um convite formal para avaliar a possível visita de Lula ao país governado por Volodymyr Zelensky.
A declaração não foi recebida com bons olhos pela diplomacia ucraniana, que revelou a existência de convites formais de Zelensky para encontros com Lula há mais de um ano, por meio de cartas que não teriam sido respondidas. Por isso, Kiev se recusa a fazer uma nova solicitação do tipo. À reportagem uma fonte do alto escalão do governo da Ucrânia chamou o gesto brasileiro de “jogo nojento e vergonhoso”.
Ainda assim, autoridades brasileiras insistem que viagens de tal envergadura exigem convites formais. O que, segundo fontes diplomáticas, pode caminhar caso o telefonema entre Lula e Zelensky seja realizado.









