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Como é o dia a dia dos iranianos entre bombas de Israel

Desde a madrugada de sexta-feira (13/6), o Irã está sendo atacado por Israel

atualizado

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Fogo e fumaça após ataque israelense ao depósito de petróleo de Shahran, em 15 de junho de 2025, em Teerã, Irã
1 de 1 Fogo e fumaça após ataque israelense ao depósito de petróleo de Shahran, em 15 de junho de 2025, em Teerã, Irã - Foto: Stringer/Getty Images

O governo chegou a anunciar que o metrô de Teerã funcionaria 24 horas por dia para abrigar a população, mas a medida não foi implementada. No dia seguinte, as portas estavam fechadas. “Em dias normais, o metrô já atrasa e vive lotado. Eles não têm como lidar com a multidão”, diz Vahid*. “Além disso, há apenas dez linhas, e algumas estações ficam a até 8 km dos nossos bairros”, afirma.

Nas redes sociais, moradores compartilham dicas de segurança e oferecem abrigo gratuito a quem perdeu sua casa ou teve que fugir. Ao contrário de Israel, o Irã não possui abrigos antimísseis em todos os bairros, tampouco estruturas compartilhadas em prédios residenciais.

Um usuário da rede X divulgou o endereço de quatro abrigos subterrâneos em Teerã e mencionou a existência de outros 290, construídos na época da guerra entre o Irã e o Iraque, entre 1980 e 1988. Mas poucos habitantes parecem conhecê-los.

O país também não conta com sirenes para alertar a população antes dos bombardeios e os iranianos se sentem abandonados. Embora o regime islâmico mantenha o discurso de confronto com Israel, não há sinais de mobilização para proteger os civis. “Os aviões israelenses sobrevoam o Irã o tempo todo. Parece que é o país deles”, diz Reza, que permaneceu em Teerã para cuidar da mãe idosa.

Após seis dias de conflito, o país registra 639 mortos e 1.329 feridos, segundo levantamento realizado pela HRANA News com fontes não governamentais. O último balanço oficial do Ministério da Saúde aponta 224 mortos e mais de mil feridos.

Crise energética

Quem tenta deixar a capital enfrenta congestionamentos e escassez de combustível, com filas intermináveis nos postos de abastecimento. A situação ameaça o transporte de mercadorias, especialmente alimentos.

Os bombardeios israelenses a instalações de gás e petróleo podem agravar ainda mais a crise energética, já marcada por cortes frequentes de eletricidade. A falta de energia e água também representa risco à saúde pública. Há ainda o temor de ataques às instalações nucleares.

Nos últimos dias, os preços sobem e a moeda iraniana perde valor.

“As pessoas estão com medo, trocam dinheiro por ouro ou moeda estrangeira. Mas os escritórios de câmbio estão quase todos fechados”, relata Reza.

Desde segunda-feira (16), o bazar de Teerã, centro econômico do país, também está fechado. “Hoje à noite fui comprar leite para minha mãe. Normalmente, a mercearia estaria cheia, mas estava vazia. Os prédios ao redor também estão desertos. O cruzamento Aladdin, onde ficam os vendedores de celulares e que recebe cerca de 1 milhão de pessoas por dia, também fechou”, conta.

A economia está paralisada. O banco estatal Sepah sofreu um ataque cibernético israelense e os cartões bancários deixaram de funcionar, segundo a jornalista e ativista Nazila Maroofian, exilada em Estrasburgo, na França.

“Não acho que o governo nos abandonou, mas acredito que é incapaz de proteger a população. O conflito envolve forças totalmente desiguais”, comenta Vahid.

Desde quarta-feira (18), iranianos no exterior têm dificuldade para se comunicar com familiares. Segundo o site NetBlocks, o acesso à internet foi totalmente cortado no país. “Eles não querem que a informação circule”, afirma Afsaneh Salari, de Berlim. O isolamento torna a população ainda mais vulnerável, enquanto o regime, enfraquecido, continua a reprimir.

Jornalista vai preso

O jornalista Ali Pakzad, do diário reformista Shargh, foi preso após tentar noticiar os ataques israelenses na TV estatal. Ele foi liberado, mas outras prisões ocorreram, como a de Sajad Mashhadi Hemmatabi, detido em Mashhad e levado a local desconhecido, segundo a HRANA.

A ativista Motahareh Goonehi, recém-libertada da prisão de Evin, foi presa novamente em 14 de junho. O rapper Toomaj Salehi, condenado à morte por participar do movimento “Mulher, Vida, Liberdade” em 2022 e libertado sob fiança, também foi preso na quinta-feira (19), mas liberado horas depois.

Ainda na quinta, o comandante da polícia do oeste de Teerã anunciou a prisão de 24 pessoas acusadas de espionagem para Israel e de tentar “perturbar a opinião pública e destruir a imagem do sistema sagrado da República Islâmica do Irã”.

*O nome foi trocado a pedido do entrevistado

Confira mais informações no RFI Brasil, parceiro do Metrópoles. 

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