Como a guerra no Irã pode impactar o preço do pão no Brasil

Altas nos preços do petróleo e fertilizantes, causadas pela guerra no Oriente Médio, podem provocar o aumento no preço do pão no Brasil

atualizado

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Arte Metrópoles/Otavio Augusto
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1 de 1 guerra-ira_euajpg-1 - Foto: Arte Metrópoles/Otavio Augusto

Muito além das consequências para o Oriente Médio, a guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel pode impactar, diretamente, no preço de um dos produtos mais consumidos em cafés da manhã ou lanches da tarde no Brasil: o pão.


O papel do Estreito de Ormuz

  • O Estreito de Ormuz é uma passagem que liga o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã ao oceano, e ponto de saída marítima para países como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Irã. 
  • Por lá transitam cerca de 20% de todo o petróleo produzido mundialmente, assim como grande parte do gás natural liquefeito do mundo.
  • Desde o início da guerra no Oriente Médio, o Irã bloqueou o trânsito de navios em Ormuz, e impactou diretamente o preço do petróleo mundial. 
  • A alta no combustível, e as restrições de navegação em Ormuz, também refletiram no transporte de outros setores, como o de fertilizantes. 
  • Na segunda-feira (30/3), o governo iraniano aprovou um plano para regulamentar a navegação na região, com a cobrança de “pedágio” para embarcações que queiram entrar ou sair de Ormuz. Navios ligados aos EUA e Israel, ou de países que sancionaram o Irã, seguem impedidos da transitar no local. 

O bloqueio do Estreito de Ormuz é o principal fator que tem influenciado o agronegócio no Brasil, incluindo o setor do trigo.

Com as restrições de passagens no local, por onde cerca de 20% do petróleo mundial é escoado, o preço dos combustíveis dispararam ao redor do mundo. O barril tipo brent tem sido comercializado acima dos US$ 100 dólares desde que a guerra começou. Por isso, o custo de todo o transporte mundial também aumentou. 

Imagem colorida, estreito de ormuz
O Estreito de Ormuz, canal marítimo por onde passa 20% do petróleo mundial

Além disso, a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) afirma que outros fatores também já refletem diretamente o setor do trigo mundial e brasileiro.

“A combinação entre alta do petróleo, aumento expressivo do diesel e dos fretes internos e externos, elevação das cotações do trigo no Brasil e no exterior e encarecimento de insumos, embalagens e seguros internacionais pressiona diretamente os custos da indústria moageira e cria um ambiente de forte risco para toda a cadeia do trigo, com potencial de impactos relevantes sobre o preço da farinha e da cadeia produtiva”, disse a Abitrigo em nota divulgada no último dia 27 de março.

Alta

Desde o início do mês, o mercado do trigo mundial teve alta de 5,24% nos preços, segundo dados do Chicago SRW Wheat — o principal indicador do setor. Na segunda-feira (30/3), os preços do cereal avançaram, e fechou cotado a US$ 6,07 bushel (unidade de medida de volume utilizada para mercadorias sólidas e secas).

Outro ponto que pode impactar o preço do pão no futuro é a alta dos fertilizantes, cujos preços também aumentaram em decorrência do bloqueio em Ormuz.

Devido à situação no estreito, estimativas apontam que cerca de 1 milhão de toneladas de insumos estão retidos no Oriente Médio, mexendo com a ofertado global e, consequentemente, nos preços dos produtos que seguem sendo comercializados fora da rota.

Mais de um mês após o início da guerra entre EUA, Israel e Irã, a Abitrigo afirma que empresas têm atuado para diminuir os impactos na mesa de brasileiros. Entre elas, “otimização de estoques, diversificação de origens de trigo e fornecedores de insumos, revisão de rotas logísticas, busca por ganhos de eficiência operacional e utilização de instrumentos de gestão de risco”.

O cenário, contudo, pode mudar caso o conflito se prolongue por mais tempo. Em entrevista ao Metrópoles, o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa, explica que a continuidade da guerra pode atingir diretamente o bolso do brasileiro.

“Dependendo da duração da guerra, vai haver um impacto muito grande no agro em geral”, destaca Barbosa. “O aumento no preço do transporte do trigo e de fertilizantes, que provocam maiores preços no cereal, as empresas distribuidoras de farinha não vão conseguir segurar essa situação por muito tempo, e podem começar a repassar os custos da produção de farinha para o consumir final. Com isso, o preço de produtos gerais e comuns para o brasileiros, como o pão, pode aumentar”.

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