Comércio, acordos, democracia: o que Lula vai fazer em tour na Europa
Presidente embarca para o continente europeu nesta quinta-feira (16/4) e terá uma série de compromissos na Espanha, Alemanha e Portugal
atualizado
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca, nesta quinta-feira (16/4), para uma série de compromissos na Europa que envolvem interesses comerciais, parcerias estratégicas e discussões sobre democracia e combate ao extremismo. Ao longo de cinco dias, o giro do petista passará por Espanha, Alemanha e Portugal.
Durante as visitas, estão previstas reuniões bilaterais com o premiê espanhol, Pedro Sánchez, o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o primeiro-ministro português, Luís Montenegro.
A primeira parada será em Barcelona, na Espanha, na sexta-feira (17/4), onde o presidente participará da 1ª Cúpula Brasil-Espanha, com delegações ministeriais dos dois países, para negociar uma extensa lista de acordos.
No sábado (18/4), Lula participa de uma reunião de alto nível chamada “Em Defesa da Democracia, Combatendo Extremismos”, também em Barcelona. Em edições anteriores, o evento já reuniu líderes em Santiago, no Chile, e em Nova York, nos Estados Unidos. O foro foi criado por Lula e Sánchez em 2024, à margem da 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas.
O encontro terá a presença de chefes de Estado e líderes de diferentes regiões para debater os desafios que a democracia e o multilateralismo enfrentam.
A expectativa é que os líderes compartilhem experiências sobre o tema, sob a ótica de três eixos principais:
- crise institucional da democracia e do multilateralismo;
- a experiência de lidar com fake news e discursos de ódio;
- e a relação entre desigualdade e democracia.
Como mostrou o Metrópoles, o presidente Lula pretende usar o espaço para buscar apoio à candidatura da ex-presidente do Chile Michelle Bachelet ao cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Até o momento, o nome é apoiado por Brasil e México.
O fórum sobre democracia também debaterá a violência política e digital de gênero. A expectativa é que o tema seja incluído em uma declaração conjunta ao final do encontro.
Estão previstos representantes de 14 países, além do presidente do Conselho Europeu e um representante da ONU. Entre os chefes de Estado confirmados, estão Gustavo Petro (Colômbia), Yamandú Orsi (Uruguai), Catherine Connolly (Irlanda), Peter Pellegrini (Eslováquia), Cyril Ramaphosa (África do Sul) e John Dramani Mahama (Gana). Outros países devem ser representados por autoridades de menor nível.
Comércio e acordos
Depois, Lula segue para a Alemanha, onde participará da Feira de Hannover, o maior evento de tecnologia e inovação industrial do mundo, que neste ano terá um pavilhão dedicado ao Brasil. A agenda na cidade alemã está prevista para domingo (19/4) e segunda-feira (20/4).
O evento, realizado entre 20 e 24 de abril, reunirá empresas, instituições e representantes governamentais. Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), haverá mais de 140 empresas expositoras e mais de 300 empresas apoiadas, com missões de negócios e rodadas de investimentos.
O presidente também participará do 42º Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA), organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com a entidade, o encontro terá como foco temas como energias renováveis, hidrogênio verde, clima e inovação, digitalização, infraestrutura e investimentos. Até o momento, o evento tem 500 inscritos — 250 empresários de cada um dos países.
No Palácio do Planalto, a expectativa é de que uma delegação robusta acompanhe o presidente. Segundo interlocutores, há entre 10 e 20 acordos sendo negociados com cada um dos países — Espanha e Alemanha — em áreas consideradas estratégicas para a política externa brasileira.
Nesse sentido, ao menos 15 ministros foram confirmados na comitiva que acompanhará o petista.
Entre os atos em análise está um acordo sobre minerais críticos, que pode ser firmado com a Espanha. A medida integra a estratégia brasileira de ampliar a cooperação em áreas estratégicas.
Recentemente, o governo firmou instrumentos sobre minerais críticos e terras raras com a Índia e a Coreia do Sul. De acordo com interlocutores do presidente, esses acordos iniciais visam criar instrumentos que permitam o diálogo entre as partes, e não preveem, por ora, a exploração de matéria-prima.
Acordos sobre minerais críticos
- Atualmente, o governo estuda a criação do Conselho Nacional de Política Mineral e de Terras Raras, vinculado à Presidência da República, que vai definir diretrizes para o uso dos insumos no país.
- O Executivo tem defendido uma política focada em garantir a soberania brasileira sobre toda a cadeia de valor dos minerais críticos e terras raras, não só na mera exportação.
- Os memorandos já firmados até o momento estabelecem cooperação exploratória para estimular o aproveitamento desses recursos, mas não define detalhes, prazos ou metas, nem assegura exclusividade de produção com os países.
- O governo brasileiro busca uma estratégia de “universalidade”, mantendo o país aberto a negociações com diferentes parceiros e evitando exclusividade como fornecedor. A exigência, porém, é que o processamento das matérias-primas ocorra em solo brasileiro, para desenvolver a indústria nacional e gerar empregos e riqueza no país.
Na Alemanha, Lula também terá reuniões com o chanceler Friedrich Merz, onde está prevista a assinatura de acordos nas áreas de defesa, tecnologia e meio ambiente. Também há a possibilidade de o presidente fazer uma visita à sede mundial da Volkswagen em Wolfsburg.
A viagem ocorre às vésperas da entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, de forma provisória, em 1º de maio.
Agenda em Portugal
Ao final da viagem, o presidente fará uma breve parada em Lisboa, capital de Portugal. Na ocasião, deverá se reunir com o presidente português, António José Seguro, e com o primeiro-ministro, Luís Montenegro. Nas conversas serão abordados temas relacionados à agenda bilateral entre os países, com destaque para a imigração e combate à xenofobia.
Integrante do Partido Socialista português, Seguro tomou posse no mês passado após derrotar o direitista André Ventura nas eleições. Com o resultado, a esquerda voltou à Presidência do país após um hiato de 20 anos.















