Com foco no Brics, Trump pode taxar países que negociam com a Rússia

A Índia, que integra o bloco, foi sobretaxada em 25% na última semana, totalizando uma tarifa de 50%, semelhante a do Brasil

atualizado

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1 de 1 Imagem colorida de Donald Trump e Brics - Metrópoles - Foto: Gabriel Lucas / Arte Metrópoles

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobretaxou a Índia, na última quarta-feira (6/8), em 25% alegando retaliação ao país por manter comércio de petróleo e derivados com a Rússia. Segundo o governo americano, existe uma “possível imposição de tarifas semelhantes a outros países que importam, direta ou indiretamente, petróleo da Federação Russa”, como é o caso do Brasil.

O senador Nelsinho Trad (PSD/MS), líder da Comissão de Relações Exteriores e da comitiva de senadores que foi aos EUA negociar com parlamentares americanos a sobretaxa de 50% imposta por Trump, afirmou ao Metrópoles que recebeu um recado direto dos congressistas, enquanto esteve no país. De acordo com ele, a taxação não viria a partir da Casa Branca e sim do congresso, já que o assunto seria de interesse de republicanos e democratas, conforme explicou o senador.

Ele disse, ainda, que foi feito um mapeamento dos países que negociam derivados de petróleo com a Rússia, e que os parlamentares americanos acreditam que essa é uma das portas de financiamento da guerra com a Ucrânia, que se alonga desde 2022.

“Se o secretário de comércio constatar que um país está direta ou indiretamente importando petróleo da Federação Russa, o secretário recomendará se e em que medida eu devo tomar ações em relação a esse país, incluindo se devo impor uma taxa adicional ad valorem de 25% sobre as importações de artigos daquele país”, diz comunicado do governo dos Estados Unidos.


Países do Brics que sofreram sanção dos EUA

  • Brasil: 50%
  • Índia: 50%
  • China: 30%
  • África do Sul: 30%
  • Indonésia: 19%
  • Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita: 10 %

Situação do Brasil

No acumulado de janeiro a julho de 2025, o Brasil importou US$ 6,1 bilhões da Rússia, segundo dados do ComexVis, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MIDC). O país ocupa o quinto lugar no ranking de importações brasileiras.

Óleos combustíveis de petróleo detêm 56% da importação na balança comercial entre os países, o que é equivalente a US$ 3,4 bilhões. Os fertilizantes, por sua vez, representam 38,7% das importações, somando US$ 2,4 bilhões no acumulado do ano.

Em julho deste ano, o Brasil teve 57% das suas importações da Rússia representadas por derivados do petróleo, totalizando US$ 596,6 milhões no mês. Procurado pela reportagem, o MIDC afirmou que não vai se manifestar.

Para o diretor da consultoria How2Go no Brasil, Marcelo Vitali, tarifas adicionais, imposições unilaterais e ajustes bruscos tendem, com o tempo, a provocar rearranjos no comércio internacional.

“Esses movimentos podem, inclusive, acelerar a formação de uma nova ordem econômica global, forjando novas alianças, abrindo novos mercados e fortalecendo relações comerciais mais estáveis do que as que o Brasil mantém hoje com os EUA, por exemplo”, disse.

No entanto, o especialista não acredita na ampliação da tarifa imposta pelos Estados Unidos ao Brasil, que, na sua avaliação, já é bastante elevada. Ele lembrou, ainda, que os países do Brics não possuem, até hoje, tarifas comuns de comércio, apesar de iniciativas relevantes de cooperação, como o Banco dos Brics e a coordenação política em outros fóruns internacionais.

Relações bilaterais

O Brasil faz parte dos Brics, um grupo político econômico com países emergentes. Além do Brasil, o grupo é composto por Rússia, Índia, China e África do Sul. A Índia foi afetada com uma sobretaxa de 25%, devido ao comércio com a Rússia, totalizando uma tarifa de 50% ao país, semelhante a do Brasil.

A China também foi taxada pelos Estados Unidos, no entanto, conseguiu um acordo de cooperação multilateral entre os países.

Após a sobretaxa dos EUA, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma ligação ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. De acordo com o governo brasileiro, os líderes discutiram o cenário econômico internacional e a imposição de tarifas unilaterais. Brasil e Índia são, até o momento, os dois países mais afetados.

“Ambos reafirmaram a importância em defender o multilateralismo e a necessidade de fazer frente aos desafios da conjuntura, e explorar possibilidades de maior integração entre os dois países”, disse o governo em nota. De acordo com o Palácio do Planalto, os líderes falaram também sobre os êxitos da Cúpula do Brics no Brasil e em trabalhar juntos para a transição da próxima presidência do bloco que estará a cargo da Índia.

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