Sem carregador e fone no iPhone: especialistas elogiam atitude da Apple

A decisão da empresa de retirar os acessórios foi pensanda na questão ambiental, mas o consumidor terá de pagar a mais

atualizado 16/10/2020 18:43

Divulgação/Apple

A Apple anunciou a nova linha de iPhones 12, no tradicional evento da empresa, na última terça-feira (13/10). Neste ano, teve transmissão on-line por conta da pandemia da Covid-19. Entre as principais mudanças, estão a compatibilidade com a nova tecnologia 5G, uma versão Mini e duas Pro do telefone e a polêmica remoção dos carregadores e fones de ouvido.

A ausência dos acessórios já vinha sendo especulada há algum tempo. Logo, a confirmação não gerou tanta surpresa, mas o debate continua. O motivo que a empresa apresentou é a preocupação com o meio ambiente. Com isso, a marca pretende diminuir a emissão de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.

“Os clientes já têm mais de 700 milhões de fones de ouvido Lightning e muitos mudaram para uma experiência sem fio”, disse Lisa Jackson, vice-presidente de Meio Ambiente, Políticas e Iniciativas Sociais da Apple durante o evento de lançamento. “Existem também mais de 2 bilhões de adaptadores de energia da Apple no mundo, sem contar os bilhões feitos por terceiros. Estamos removendo esses itens da caixa do iPhone, o que reduz as emissões de carbono e evita a mineração e o uso de materiais preciosos”, completou.

Com menos itens incluídos, a embalagem do iPhone é menor. Logo, a Apple pode colocar até 70% mais produtos em um compartimento de transporte. Com isso, seriam cortadas mais de 2 milhões de toneladas métricas de carbono por ano. Segundo números da empresa, é como remover 450 mil carros das estradas anualmente.

O que dizem os especialistas

De acordo com a publicação da revista americana Wired, que aborda questões sobre tecnologia e ciência, especialistas em sustentabilidade estão divididos quanto à atitude da Apple. O cientista ambiental Ruediger Kuehr afirma que é importante colocar o impacto da remoção do carregador e dos fones de ouvido dos iPhones e Apple Watches mais recentes em perspectiva, sabendo que o mundo gerou 53,6 milhões de toneladas métricas de lixo eletrônico em 2019.

Esses números foram divulgados no Global E-Waste Monitor 2020, relatório de co-autoria de Ruediger Kuehr e patrocinado pela Universidade das Nações Unidas, com a colaboração de organizações como a União Internacional de Telecomunicações. Segundo o documento, esse número continuará a aumentar para 74 milhões de toneladas métricas até 2030, quase o dobro do valor registrado em 2014.

Já o ambientalista e professor da Universidade de Brasília (UnB) Augusto César Brasil vê pontos positivos na ação da Apple. “Tais ações ambientais, assumidas e divulgadas por marcas tão fortes, potencializam mais ações de outras marcas e criam um bom ambiente de negócio, com produtos amigáveis do ponto de vista ambiental. Creio que vamos ver um número cada vez maior de empresas assumirem essa responsabilidade ambiental”, afirma.

Para o professor, assim como a Apple, grandes companhias têm papel fundamental na redução das emissões de CO2. “Não somente a referência é fundamental para o futuro mais amigável ao meio ambiente, mas devido à dimensão da produção dessas empresas, quando conseguem reduzir suas emissões, tem grande impacto nas emissões totais de CO2″.

O professor ainda explica que a Apple também pode contribuir de outras formas, visto que há várias fábricas que produzem para a marca. A empresa pode exigir maior otimização energética e melhoria dos processos produtivos das fábricas (em toda a cadeia produtiva), por exemplo. “A Apple pode fazer ainda idealizar os produtos sendo menos poluidores, em todo o seu ciclo de vida, desde a extração do recurso natural até o descarte final com reciclagem”, finaliza Augusto.

O ambientalista Nelson Rodrigues conta que a gigante da tecnologia deu um grande passo ao tomar tais medidas. “A empresa está sendo ágil em tomar esse tipo de medidas, pois está avançando nas questões ambientais. A sustentabilidade é importante para a comunidade e para o planeta, diminuindo a emissão de poluentes deixando o meio ambiente mais limpo para as futuras gerações”, afirma.

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Valores permanecem, acessórios não

A partir do momento que a Apple anunciou os novos iPhones, a companhia informou que as linhas antigas também virão sem o carregador e o fone de ouvido na caixa. Além disso, sofreram aumentos nos preços dos iPhones 11, XR e e parte da linha SE de 2ª geração.

Uma mudança que acaba gerando mais um discurso, pois a empresa está olhando para as questões ambientais e deixando de olhar para os seus consumidores. O encarecimento foi maior nas versões com maior capacidade de armazenamento interno. Os preços superam, inclusive, os que foram praticados durante o lançamento dos smartphones. O único modelo que manteve o valor anterior é o iPhone SE de 2ª geração com 64 GB de armazenamento interno.

No site da empresa, há um alerta que detalha como serão as novas embalagens. “Como parte dos esforços para atingir nossos objetivos ambientais, o iPhone não vem mais com adaptador de energia nem EarPods (fones de ouvido com fio). Você pode usar o adaptador de energia e os fones de ouvido da Apple que já tenha ou comprar esses acessórios separadamente”, diz o texto.

No site da Apple, um carregador oficial custa R$ 219, assim como os fones de ouvido básicos. Com isso, para ter todos os acessórios, o consumidor teria que desembolsar R$ 438 além do valor dos smartphones,

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