Bolsonaro confirma plano para tirar estabilidade de novo servidor

Na chegada aos Emirados Árabes Unidos, presidente disse que reforma administrativa é a nova prioridade do governo

Isac Nóbrega/PR

atualizado 26/10/2019 15:03

Enviado especial a Abu Dhabi — O presidente Jair Bolsonaro (PSL) confirmou, ao chegar a Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, que a reforma administrativa é a atual prioridade do governo depois da aprovação da nova Previdência. Ele afirmou também que o governo pretende tirar a estabilidade dos novos servidores a partir da aprovação da proposta.

“Não vamos buscar quebrar estabilidade de servidor [que já entrou]. A ideia é, depois da promulgação dessa PEC, caso ela venha a ser promulgada um dia, mudar essa forma de relacionamento”, afirmou durante a visita ao Monumento aos Mártires. Foi o primeiro compromisso oficial do presidente brasileiro no país árabe.

“A gente vê prefeituras, estados — a União nem tanto ultimamente — que exageram nas contratações. Não pode um prefeito ou um governador pegar um estado que foi inchado pela administração anterior”, justificou o presidente. E reafirmou: “Para os novos apenas. Não queremos causar um trauma junto aos servidores que, em grande parte, exercem um trabalho muito bom”.

“Quimioterapia”

Bolsonaro disse também que vem oferecer um país em transformação liberal a investidores. “Reformas que se tentava há 15, 20 anos estão acontecendo. Sabemos que a reforma da Previdência, por vezes, parece uma quimioterapia. Mas se faz necessária essa quimioterapia, e não podemos sucumbir”, afirmou.

Entre os compromissos do presidente de domingo (27/10/2019) em Abu Dhabi, está um seminário econômico no qual Bolsonaro deverá chamar investidores árabes para aplicar em obras de infraestrutura e no megaleilão do pré-sal.

“Pretendemos, com essas medidas, como venho dizendo ao Paulo Guedes [ministro da Economia], baratear o preço desse produto [petróleo] no Brasil, que está muito caro”, concluiu o presidente.

Proposta avançada

Ainda na China, Jair Bolsonaro falou sobre o assunto. “A reforma administrativa está bastante avançada. Não haverá quebra de estabilidade para os atuais servidores. Quem entrar a partir da promulgação da PEC [proposta de emenda à Constituição], aí pode não haver estabilidade”, afirmou o presidente na sexta-feira (25/10/2019).

O chefe do Executivo brasileiro disse também que a equipe econômica busca acabar com a indexação dos salários, ao ser questionado se poderá haver mudanças nos valores dos salários e reajustes de servidores públicos para evitar possíveis disparidades.

“As pessoas falam tanto dos militares. Um aspirante começa ganhando em torno de R$ 6,5 mil bruto e, ao longo da carreira, vai havendo progressão. O que a equipe está estudando é acabar com indexações nessa área”, declarou.

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