Bélgica admite erros antes de ataques terroristas em Bruxelas
Jan Jambon, ministro do Interior belga, reconheceu que décadas de negligência causaram deficiências que impediram uma resposta eficaz ao extremismo violento
atualizado
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O ministro do Interior da Bélgica, Jan Jambon, disse que o governo belga investiu 600 milhões de euros para melhorar os serviços de segurança nacionais nos últimos dois anos. A autoridade reconheceu, porém, que décadas de negligência causaram deficiências que impediram uma resposta eficaz ao extremismo violento.
Jambon disse que houve erros antes dos ataques terroristas na terça-feira (22/3) em Bruxelas, nos quais 31 pessoas morreram e 270 ficaram feridas. Ele esclareceu, por outro lado, que os investimentos feitos demandam tempo para gerar frutos. O ministro explicou que a contratação de especialistas no combate ao terrorismo e a compra de equipamentos especializados não são tarefas que geram sucesso em semanas ou meses. “Não é correto que se alguém investe dinheiro agora já haverá resultados amanhã”, argumentou ele.O governo da Suécia confirmou neste domingo (27/3) que havia duas mulheres entre as vítimas dos atentados em Bruxelas. As identidades das vítimas não foram divulgadas.
A polícia italiana na cidade de Salerno, por sua vez, disse que capturou um argelino procurado na Bélgica por facilitar a imigração ilegal. Esse argelino é suspeito de vínculos com os ataques ocorridos no ano passado em Paris, mas não foram divulgados mais detalhes sobre a prisão.
Acusação
Promotores belgas acusaram neste domingo um extremista já condenado por suposto vínculo com um ataque terrorista frustrado que ocorreria na França.
O escritório da promotoria disse que Abderamane Ameroud, de 38 anos, foi acusado de participar de um grupo terrorista de uma fracassada iniciativa de ataque na França, disse um porta-voz. Ameroud já foi condenado em 2005 por um tribunal francês e pegou sete anos de prisão por tramar, como parte de uma operação da Al-Qaeda, o assassinato do comandante afegão Ahmad Shah Massoud, que era contrário ao Taleban. Massoud acabou morto em 9 de setembro de 2001 por dois extremistas belgas que se apresentaram como jornalistas para enganá-lo.
Ameroud foi detido na sexta-feira durante uma operação policial no bairro de Schaerbeek, onde havia duas residências usadas pela rede terrorista ligada ao Estado Islâmico que orquestrou os ataques da terça-feira em Bruxelas, que matou 31 pessoas, e também aos ataques de novembro em Paris.
A promotoria belga disse que a casa de Ameroud foi vasculhada, mas não havia explosivos nem armas.
