Banheiros entupidos obrigam maior porta-aviões do mundo deixar o Oriente Médio
O USS Gerald R. Ford enfrenta falhas após 9 meses no Mar Vermelho; deve ir a Creta para reparos após incêndio recente

A sua retirada deixaria uma lacuna significativa para as forças americanas envolvidas na guerra contra o Irã, já que as dezenas de caças que transporta contribuíram para as mais de duas semanas de ataques. De acordo com o The New York Times, que cita um oficial militar, o navio provavelmente será substituído por outro porta-aviões, o USS George Bush, que está se preparando para ser enviado ao Oriente Médio.
O Gerald R. Ford, um navio de US$ 13 bilhões, foi lançado por Donald Trump em 2017, durante seu primeiro mandato. Sua primeira missão ocorreu cinco anos depois, em 2022. Impulsionado por dois reatores nucleares, o porta-aviões tem mais de 335 metros de comprimento — mais alto que a Torre Eiffel — 75 metros de largura e pode navegar a aproximadamente 55 km/h. Pode deslocar 100 mil toneladas em carga máxima. Sua tripulação é composta por mais de quatro mil marinheiros. O navio transporta dezenas de aviões de guerra e atualmente é escoltado por destróieres de mísseis guiados.
Este é o primeiro porta-aviões da classe Ford, um novo projeto concebido para substituir gradualmente os porta-aviões da classe Nimitz.
Antes de ser enviado para o Oriente Médio, o Gerald R. Ford participou de operações americanas no Caribe, onde Washington conduz uma intensa campanha aérea contra navios supostamente envolvidos com o narcotráfico. Ele foi utilizado na apreensão de petroleiros sancionados e na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, no início de janeiro.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesProblemas graves com as instalações sanitárias
Na semana passada, um incêndio “sem relação com combate” ocorreu na lavanderia do navio e feriu dois marinheiros. “Cerca de 100 camas foram danificadas”, disse um oficial americano na terça-feira, acrescentando que o incêndio não afetou as operações do porta-aviões e que todos os marinheiros tinham onde dormir.
O navio também enfrenta sérios problemas com suas instalações sanitárias, com a imprensa americana relatando ralos entupidos e longas filas nos banheiros. O problema não é novo. De acordo com um relatório governamental de 2020, seus ralos entopem “inesperadamente e com frequência” e exigem limpeza regular, que custa US$ 400 mil cada vez.
A Marinha dos EUA reconheceu essas dificuldades. Mas o comando do navio afirmou que “os incidentes de entupimento de ralos são resolvidos rapidamente por pessoal treinado em solução de problemas e engenharia, com tempo de inatividade mínimo”.
O senador Mark Warner, vice-presidente do Comitê de Inteligência do Senado, criticou duramente o longo período de serviço do navio na terça-feira. “O USS Ford e sua tripulação foram levados ao limite após quase um ano no mar e estão pagando o preço pelas decisões militares imprudentes do presidente Donald Trump”, disse ele em um comunicado.
Leia a reportagem em RFI, parceiro do Metrópoles.



